Para blindar Fiems, Gerson Claro derruba requerimentos em série na Alems

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Sérgio Longen, Gerson Claro e Jaime Verruck, em registro na Missão Ásia, custeada com recursos públicos. (Foto: Divulgação/Fiems)

O presidente da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), Gerson Claro (PP), rejeitou mais dois requerimentos que cobravam explicações sobre convênio de R$ 7 milhões da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) com a Fiems (Federação das Indústrias de MS).

A Fiems é alvo de questionamentos de deputados por receber, de uma só vez, R$ 7 milhões de um convênio articulado por Jaime Verruck, ex-diretor corporativo da entidade que atuou como titular da Semadesc até 1º de abril, quando foi exonerado para disputar vaga nas eleições deste ano pelo Republicanos.

Além disso, a entidade chefiada por Sérgio Longen é investigada pelo Ministério Público por suspeita de irregularidade em contratos de R$ 1,5 milhão com empresas.

Então, para blindar a Fiems, o deputado Gerson Claro barrou os requerimentos. Um deles é de autoria do deputado João Henrique Catan (Novo), que queria convocar Verruck e seu substituto, Artur Falcette, para prestarem esclarecimentos no plenário da Assembleia.

O outro requerimento ‘enterrado’ por Claro foi protocolado pela deputada Gleice Jane (PT), que cobrava detalhes da utilização desses recursos públicos estaduais por parte da Fiems.

Ao negar os dois pedidos de uma vez só, Gerson Claro alegou que ele, como presidente, tem a prerrogativa de “deixar de aceitar qualquer proposição que não atenda às exigências regimentais” e que o motivo da rejeição é “por reproduzir matéria idêntica à já rejeitada pelo Plenário nesta Sessão Legislativa“.

Decisão foi publicada no Diário Oficial da Alems de segunda-feira (8). (Reprodução)

Em relação às convocações, Claro invoca o regimento para alegar que não cabe à Alems convocar um ex-secretário (Verruck). Quanto à solicitação de detalhamento feita por Gleice Jane, o presidente justifica que o pedido de informações ao chefe do Poder Executivo “não está sujeito a requerimentos dessa natureza”.

Em abril, Claro já havia blindado a Fiems, quando enterrou requerimento da bancada do PT, que buscava obter informações da CNI (Confederação Nacional da Indústria) sobre a gestão de recursos e medidas de governança na Fiems.

À reportagem, Gerson Claro limitou-se a dizer que a decisão está “fundamentada em questão de direito objetivo”.

Convênio pagou viagem de Verruck, Claro e Longen a países asiáticos

No ano passado, Gerson Claro viajou a países asiáticos com Jaime Verruck e Sérgio Longen. Tudo foi bancado com convênio assinado por Verruck, que, em 2025, liberou R$ 5 milhões para a Fiems.

Gerson Claro já havia defendido o convênio em outras ocasiões. Em uma coletiva de imprensa na Alems no mês passado, o deputado citou a viagem que fez pela Ásia como investimento importante do convênio.

“Esse convênio foi fundamental para que a gente pudesse viajar no ano passado, onde nós tivemos mais de 15 dias na Ásia. Na Índia, ficamos uma semana; ficamos no Japão, três ou quatro dias; e, depois, em Singapura”, recordou o parlamentar. Naquela viagem, empresas foram convidadas a investir em Mato Grosso do Sul. Os custos da viagem não foram detalhados após o retorno da comitiva.

Naquela ocasião, Claro negou que ter participado da viagem geraria suspeição por rejeitar requerimentos contra Fiems na Alems: “Suspeição? Se o deputado se beneficiar, tudo bem. Se for o Estado, não. Eu, por exemplo, viajei, tive a despesa paga e o benefício foi do Estado, não foi meu. Não trouxe nada, nem uma empresa pra mim, nem um negócio pra mim”, disse.

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