
Corpo da mulher às margens da pista (Foto: Bruna Marques).
Tratado como filho por Giovana Castura Werner, de 52 anos, o homem apontado pela Polícia Civil como líder do grupo investigado por sua morte teria usado o celular e as contas bancárias da vítima para transferir e distribuir cerca de R$ 10 mil entre os envolvidos no crime. Os dois eram sócios na agiotagem, segundo a polícia. A informação foi divulgada nesta terça-feira (14), dia em que quatro suspeitos foram presos durante operação da DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa).
Segundo a investigação, a proximidade entre Giovana e o suspeito era tamanha que ele tinha acesso à senha bancária da mulher. Conforme a Polícia Civil, após o assassinato, foram realizadas transferências da conta da vítima para a conta do investigado, que posteriormente dividiu os valores entre outros integrantes do grupo.
A suspeita é de que o dinheiro tenha sido movimentado por meio do próprio celular de Giovana, desaparecido desde o dia do crime e ainda não localizado. O valor exato retirado das contas da vítima ainda depende da análise completa dos extratos bancários, mas a estimativa atual gira em torno de R$ 10 mil.
Quinto suspeito recebeu R$ 500 para esconder o corpo – Outro detalhe revelado pela investigação envolve um quinto suspeito, identificado durante as diligências desta terça-feira. De acordo com a DHPP, ele teria participado da ocultação do cadáver e da desova do veículo utilizado no crime após receber R$ 500 pelo serviço.
Conforme a polícia, o homem não é apontado como participante da execução, mas teria auxiliado os investigados na tentativa de dificultar a descoberta do homicídio. Ele foi conduzido para prestar depoimento e teve a participação formalizada no inquérito, mas não foi alvo de mandado de prisão.
A operação realizada nesta manhã cumpriu quatro mandados de prisão temporária e cinco mandados de busca e apreensão em diferentes regiões de Campo Grande. As autoridades não divulgaram os nomes dos presos.
Segundo a Polícia Civil, os investigados foram interrogados após as prisões. Quatro deles admitiram participação nos fatos, mas apresentaram versões divergentes sobre a dinâmica do crime, especialmente em relação a quem teria efetuado o disparo que matou Giovana e quem teria determinado a execução.
Já o homem apontado pelos investigadores como líder do grupo negou envolvimento e alegou estar sendo responsabilizado injustamente.
As prisões são temporárias e têm prazo inicial de 30 dias. Durante esse período, a DHPP pretende aprofundar a análise dos dados bancários e telefônicos dos envolvidos, além de confrontar as diferentes versões apresentadas nos depoimentos.
O caso – Giovana Castura Werner foi encontrada morta no dia 24 de março, na região da Cachoeira do Inferninho, em Campo Grande. O corpo apresentava uma perfuração causada por disparo de arma de fogo na cabeça.
Familiares relataram à polícia que a vítima havia saído de casa para realizar cobranças e não voltou mais. No dia seguinte ao encontro do corpo, equipes da DHPP localizaram o carro utilizado por ela abandonado em uma área de mata no Jardim Colúmbia.
Dentro do veículo foram encontrados vestígios de sangue, um projétil de arma de fogo e uma pá. O celular da vítima, no entanto, nunca foi recuperado.
A principal linha de investigação aponta para um desentendimento relacionado a cobranças de dívidas e à prática de agiotagem. Apesar das prisões, a Polícia Civil afirma que ainda trabalha para esclarecer com precisão a motivação do crime e a participação de cada um dos envolvidos.