Michelle Bolsonaro (PL) tem sinalizado a pessoas de seu entorno que pode abandonar a política, em meio a um desgaste crescente dentro do campo bolsonarista. Segundo relatos apurados pela âncora da CNN Tainá Falcão, o sentimento de frustração está consolidado e vem sendo alimentado por uma série de episódios recentes que a deixaram profundamente magoada.
De acordo com fontes próximas à ex-primeira-dama, o descontentamento se intensificou após a divulgação de um vídeo em que ela criticava Flávio Bolsonaro (PL), seguido de um pedido de desculpas que ela considerou inadequado.
“Se a Michelle se sentiu ofendida, peço desculpas”, teria sido o teor da resposta de Flávio — uma formulação que, para Michelle, não representou um reconhecimento genuíno dos ataques que ela recebeu, mas sim uma tentativa de transferir a culpa a ela mesma.
Entre as principais queixas de Michelle está o que pessoas de seu entorno descrevem como uma “bolha assassina bolsonarista” que atingiria especialmente mulheres.
Ela também demonstra incômodo com declarações de Paulo Figueiredo, influenciador que afirmou por duas vezes que mulher não sabe votar — comentários feitos justamente após a divulgação do vídeo em que ela criticava Flávio Bolsonaro (PL).
Michelle também tem enfrentado atritos ao defender nomes de mulheres em disputas estaduais, como Priscila Costa (PL) no Ceará e Carol Detone (PL) em Santa Catarina, além de outros nomes que ela gostaria de ver no Senado Federal e que não estariam sendo considerados pelo partido.
Em conversa com a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ela ressaltou que percorreu o país inteiro à frente do PL Mulher e não viu esse trabalho surtir efeito nas decisões sobre os nomes que representariam o partido nas urnas.
Michelle tem repetido que não vai aguentar o jogo político tradicional dessa forma, que entrou na vida pública para tentar fazer a diferença, mas que não irá para o embate.
Em uma reunião de três horas com Celina e Damares, Michelle sinalizou que pode desistir de disputar cargos eletivos, como uma vaga no Senado Federal. Foi Celina Leão (PP) quem a demoveu temporariamente da ideia de deixar o PL, pedindo que ela refletisse mais sobre sua candidatura.
A percepção de Michelle é a de que a política é um ambiente machista — sentimento que teria sido reforçado nessa conversa.
Segundo relatos, a reunião de mediação não foi suficiente para aplacar a mágoa da ex-primeira-dama. Fontes indicam que a tentativa foi mais no sentido de “colocar panos quentes”, sem levar em consideração a profundidade do descontentamento dela.
Michelle esperava que chegassem à conversa reconhecendo sua dor, mas o encontro teria seguido na direção de minimizar o que ela sentia. Uma pessoa próxima a ela descreveu o estado atual como “irredutível quanto a abandonar o jogo político”, afirmando que foi “um martírio” o que ela sofreu de críticas nas redes sociais.
Caso a decisão de Michelle de sair da disputa se confirme, o cenário político no Distrito Federal também seria impactado. Sem ela como candidata, seria necessário abrir espaço para outros nomes, como o próprio Ibaneis Rocha (MDB) ou senadores como Izalci Lucas (PL-DF) — com quem Celina Leão (PP) não manteria uma relação próxima.
Apesar do momento de incerteza, lideranças do PL seguem tentando segurar Michelle Bolsonaro (PL). Celina destacou a ela, na conversa reservada, a importância do fortalecimento da participação feminina na política e como Michelle pode continuar trabalhando pela construção do PL Mulher dentro do partido.
Fontes ouvidas tanto do lado de Flávio quanto do lado de Michelle indicam versões divergentes sobre a posição de Jair Bolsonaro (PL) diante do conflito — e a avaliação é a de que somente ele seria capaz de zerar o jogo, mas que não haveria disposição de sua parte para se envolver diretamente na disputa.