
Primeiro-ministro britânico, Keir Starmer • 24/07/2025Kin Cheung/Pool via REUTERS
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta quinta-feira (26) que autorizou as Forças Armadas a abordar e deter navios russos em águas britânicas para desmantelar uma rede de embarcações que, segundo seu governo, permite a Moscou exportar petróleo apesar das sanções ocidentais.
A decisão surge num momento em que outras nações europeias, incluindo França, Bélgica e Suécia, intensificaram os esforços para deter a chamada frota paralela de petroleiros russos, utilizada por Moscou para financiar sua guerra de quatro anos contra a Ucrânia.
Starmer disse que aprovou a ação mais agressiva contra as embarcações porque o presidente russo, Vladimir Putin, provavelmente estava “esfregando as mãos” com a forte alta dos preços do petróleo, impulsionada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
“É por isso que, na minha opinião, devemos perseguir a frota paralela com ainda mais afinco”, declarou Starmer em uma reunião da Cúpula da Força Expedicionária Conjunta em Helsinque, na Finlândia, nesta quinta-feira.
“Juntos, devemos fechar as rotas marítimas cruciais para esse comércio vital, a fim de manter a pressão sobre Putin”, acrescentou.
O Reino Unido forneceu apoio logístico e de inteligência este ano às Forças Armadas francesas e americanas, que detiveram navios russos.
Mas o anúncio de Starmer marca a primeira vez que as forças britânicas são autorizadas a abordar navios russos.
Autoridades afirmaram que militares e policiais britânicos estão se preparando para abordar embarcações russas que não se rendam, estejam armadas ou usem vigilância onipresente de alta tecnologia para evitar a captura.
Uma vez que os navios sejam abordados, os processos criminais podem ser instaurados contra os proprietários, operadores e tripulantes por violações da legislação de sanções.
Um oficial britânico disse que pelo menos uma dúzia de navios russos sancionados têm passado pelo Canal da Mancha, a estreita faixa de água que separa o Reino Unido da França, todos os meses, em média, ao longo do último ano.
A autorização britânica para abordar navios russos pode significar que essas embarcações evitarão o Canal da Mancha, uma das rotas marítimas mais vitais do mundo, forçando-as a fazer viagens mais longas e caras, disse o oficial.
A dependência da Rússia em relação à frota paralela permitiu que ela continuasse exportando petróleo sem cumprir as restrições ocidentais impostas após a invasão em larga escala da Ucrânia em 2022.
Os esforços europeus para manter a pressão sobre a Rússia foram prejudicados neste mês, quando o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu aos países uma isenção de 30 dias para comprar produtos russos sancionados, atualmente retidos no mar, com o objetivo de estabilizar os mercados globais de energia abalados pela guerra com o Irã.
O Reino Unido impôs sanções a 544 navios da frota paralela russa.
Cerca de três quartos do petróleo bruto da Rússia são transportados por esses navios, segundo estimativas britânicas.
Em janeiro, as forças britânicas ajudaram os Estados Unidos a apreender um petroleiro de bandeira russa no Atlântico Norte e, posteriormente, naquele mesmo mês, forneceram apoio de rastreamento e monitoramento para uma operação francesa de abordagem a um petroleiro russo sancionado no Mediterrâneo Ocidental.
Os navios da frota paralela da Rússia geralmente têm estruturas de propriedade opacas e levantam preocupações sobre os riscos ambientais, com petroleiros antigos e mal regulamentados, propensos a derramamentos, falhas mecânicas e vazamentos, ameaçando os ecossistemas marinhos.