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Prefeitura repudia fala de deputado sobre pesca esportiva no Pantanal

Por Redação

Em 24 de março de 2026

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Pesca esportiva no Pantanal – Foto: Silvio de Andrade

Prefeitura Municipal de Corumbá manifestou repúdio às falas do deputado federal Dagoberto Nogueira (PSDB) sobre a pesca esportiva no Pantanal.

De acordo com a prefeitura, a declaração do deputado ignora a importância e o potencial da pesca esportiva, que estimula o turismo sustentável, gera renda, aquece o comércio, gera empregos, agita bares e restaurantes e gira a economia.

O deputado afirmou que os pescadores de São Paulo, Minas Gerais e outras regiões nada trazem para o Estado, deixam lixo e ainda provocam fogo.

“O grande problema que nós temos são os pescadores que chegam naqueles ônibus enormes, fazem comida ali mesmo (na beira do rio), não ocupam os hotéis e aí vão embora e deixam uma sujeira danada, quando não põe fogo em tudo”, disse o parlamentar.

A declaração foi dita à ministra do Meio Ambiente e de Mudança de Clima, Marina Silva, em 19 de março de 2026, em reunião preparatória para a Conferência das Partes sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP 15), realizada entre 23 e 29 de março, em Campo Grande.

A reunião foi gravada e o vídeo circulou nas redes sociais com tom de revolta por parte de associações e órgãos públicos.

A nota de repúdio foi publicada, nesta segunda-feira (23), no site da prefeitura do município. Veja o texto na íntegra:

“A Prefeitura de Corumbá manifesta repúdio às declarações do deputado federal Dagoberto Nogueira sobre a pesca esportiva no Pantanal, feitas durante reunião de preparação para a 15ª Conferência das Partes sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP 15), com o Ministério do Meio Ambiente e de Mudança de Clima na quinta-feira, 19 de março.

A administração municipal acredita que a fala desconsidera avanços históricos na regulamentação e na preservação dos recursos pesqueiros da região. Desde as décadas de 1980 e 1990, quando não havia controle efetivo da atividade, Corumbá contribuiu na evolução para um modelo sustentável, com redução de cotas, fortalecimento da fiscalização e incentivo à pesca esportiva.

Medidas como a Lei da Piracema e a proibição da pesca do dourado, adotada no município em 2012 e ampliada em 2019 para todo o Estado, contribuíram para a recuperação de espécies e para a consolidação da prática do pesque e solte.

Hoje, a pesca esportiva é um dos pilares do turismo sustentável local, gerando emprego, renda e promovendo a conservação ambiental. O modelo é resultado de um esforço conjunto entre o poder público, o setor turístico e a comunidade.

A Prefeitura reafirma o compromisso com a preservação do Pantanal e com o desenvolvimento responsável, destacando que Corumbá é referência nacional e internacional em turismo de pesca esportiva alinhado às boas práticas ambientais”.

A Associação Corumbaense das Empresas Regionais de Turismo (Acert) também reagiu com indignação e, em carta endereçada ao deputado, pediu sua retratação pública.

Segundo os empresários do setor, a fala não condiz com a realidade, gera desinformação e impacta negativamente profissionais, empresas e comunidades que dependem diretamente da pesca esportiva.

A Fundação de Turismo do Pantanal ressaltou a importância da pesca esportiva no principal destino – para este fim – do Estado.

“A gestão pública, pescadores esportivos, operadores, guias e toda a cadeia produtiva atuam como aliados na conservação do bioma, contribuindo diretamente para a proteção dos recursos naturais e para a geração de emprego e renda nas comunidades locais”, afirmou o diretor-presidente da Fundtur Pantanal, Zelinho de Carvalho.

PESCA ESPORTIVA
Pesca esportiva é uma atividade recreativa e não comercial, praticada principalmente por lazer, com o princípio do ‘pesque e solte’.

Não é lucrativa, sendo proibida a comercialização dos peixes capturados. É uma forma de conexão com a natureza e ecossistema. Também se pode chamar de pesca de lazer ou pesca amadora.

A pesca esportiva pode ser praticada no mar, rios e lagos utilizando-se iscas naturais ou iscas artificiais, com tração de molinetes ou carretilhas.

Segundo a Fundação de Turismo do Pantanal, Corumbá recebe anualmente mais de 30 mil pescadores, os quais ocupam as estruturas das pousadas e pesqueiros situados ao longo dos rios ou realizam os cruzeiros em barcos-hotéis (embarcações para 20 a 80 pessoas, com alto atendimento de bordo e de pesca).

O destino tem a maior frota fluvial especializada em pesca esportiva, com a presença cada vez maior de famílias e grupos de mulheres.

Correio do Estado

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