
Avião Airbus A321 da JetBlue Airways decola do Aeroporto Internacional de Los Angeles com destino a Nova York em 17 de outubro de 2025 • Kevin Carter/Getty Images
O Comando Sul dos Estados Unidos afirmou à CNN Brasil que está ciente dos relatos de que um avião da companhia aérea JetBlue evitou uma colisão com uma aeronave da Força Aérea americana perto da Venezuela e destacou que está analisando o caso.
“As tripulações aéreas militares são profissionais altamente treinados que operam de acordo com os procedimentos estabelecidos e os requisitos aplicáveis do espaço aéreo”, comentou o Comando Sul, que é responsável pelas operações militares dos EUA na América Latina.
“A segurança continua sendo nossa principal prioridade e estamos trabalhando pelos canais apropriados para avaliar os fatos que envolvem a situação”, adicionou.
Em nota à CNN Brasil, a JetBlue afirmou que os funcionários da companhia são treinados nos “procedimentos adequados” para diversas situações de voo e que a segurança é a prioridade máxima.
“Agradecemos a eles por relatarem prontamente essa situação à nossa equipe de liderança. Reportamos este incidente às autoridades federais e participaremos de qualquer investigação”, adicionou a empresa.
Curaçao é uma ilha a cerca de 60 quilômetros da Venezuela que faz parte do Reino dos Países Baixos.
Segundo a CNN Internacional, o Conselho Nacional de Segurança no Transporte dos EUA e o Conselho de Segurança Holandês também estão cientes do caso e analisam o ocorrido.
O caso aconteceu na última sexta-feira (12), envolvendo o voo 1112 da JetBlue, que decolou de Curaçao e ia até Nova York.
O piloto da empresa afirmou que a aeronave militar estava com o transponder desligado — equipamento essencial para monitoramento –, segundo gravação de uma conversa com o controle de tráfego aéreo no site especializado LiveATC.
“Acabamos de ter uma aeronave passando bem na nossa frente, a menos de oito quilômetros de nós, talvez três ou quatro quilômetros, mas era um avião-tanque de reabastecimento da Força Aérea dos Estados Unidos, e ele estava na nossa altitude. Tivemos que interromper a subida”, comentou o piloto.
“Eles cruzaram diretamente nossa rota de voo. Tivemos que parar de subir. (…) O transponder deles está desligado. É um absurdo”, adicionou.
De acordo com o piloto, a aeronave da Força Aérea dos EUA estava indo em direção ao espaço aéreo da Venezuela.
Nos últimos meses, os Estados Unidos enviaram milhares de soldados, aeronaves e até o maior porta-aviões do mundo para o Caribe.
Os militares fizeram diversos ataques contra embarcações na região e no Oceano Pacífico que supostamente estariam transportando drogas. Porém, foram levantadas dúvidas sobre a legalidade dessa ofensiva.
O governo de Donald Trump tem acusado o regime de Nicolás Maduro de estar envolvido com o narcotráfico, algo que o venezuelano nega. O presidente americano não descartou fazer ataques diretamente contra o país sul-americano.
No final de novembro, Trump afirmou que as companhias aéreas deveriam considerar o espaço aéreo venezuelano fechado. O caso gerou críticas dos países da região, incluindo a Colômbia.
De toda forma, diversas empresas suspenderam as operações na Venezuela citando risco à segurança.
*com informações da CNN Internacional
CNN