
Foto: Neofeed • Reprodução – Neofeed
Tim Cook deixou o cargo de CEO da Apple nesta terça-feira (1) após 15 anos. O sucessor direto de Steve Jobs dá lugar a John Ternus, agora ex-vice-presidente sênior de engenharia de hardware.
Cook segue na empresa como presidente executivo do conselho de administração.
Ternus assume a Apple em um momento decisivo, às vésperas do lançamento do iPhone 18 e em meio a pressão por avanços de inteligência artificial.
Engenheiro mecânico de formação, Ternus entrou na Apple em 2001, na equipe de design de produtos, com foco nos computadores Macintosh. Em 2013, virou vice-presidente de engenharia de hardware, expandindo sua atuação para além dos Mac.
O executivo assumiu a divisão de engenheria de hardware do iPhone em 2020. Desde então, também supervisionou produtos como iPad, AirPods, Mac e Apple Watch.
Em 2021, se tornou vice-presidente sênior de engenharia de hardware, junto com a nomeação para a equipe executiva da companhia. Ele comandava a engenharia de hardware de todos os produtos da Apple e se reportava diretamente a Cook.
Em uma carta de despedida enviada a funcionários na segunda-feira (31), Tim Cook endossou o executivo. “Poucas pessoas entendem o que é preciso para criar produtos capazes de mudar o mundo da maneira como John entende, e eu não poderia estar mais entusiasmado com a liderança dele”, afirmou.
O novo CEO tem um perfil diferente de seu antecessor. Para Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Informação, enquanto Cook era mais discreto, técnico e focado em processos, Ternus é “um cara de tecnologia, de produto” – algo mais próximo ao perfil de Steve Jobs.
Igreja defende que Tim Cook não apenas conseguiu consolidar a Apple, mas fazer uma transição importante. “A Apple continua muito dependente do iPhone, seu grande produto, mas Cook potencializou toda a categoria de aplicativos e serviços, provocando uma mudança importante na estrutura de receita da companhia”, afirmou.
O especialista destaca que a estabilidade da empresa – que atingiu valores de mercado recorde nos últimos anos – deixa um cenário tranquilo para a troca de comando. “O sucesso de Cook cria esse ambiente de confiança e tranquilidade”.
Para Igreja, o grande desafio de John Ternus é a inteligência artificial. A Apple adotou uma estratégia diferente de outras big techs, apostando em parcerias com outras empresas do setor, como a união com a Alphabet para usar o Gemini em seus produtos. O novo CEO deverá seguir se provando nesse mercado.
Brian Mulberry, estrategista-chefe de mercado da Zacks Investment Management, que possui ações da Apple, também apontou a IA como desafio. Ele afirmou que a tecnologia da empresa precisará se provar como “mais do que um aplicativo no iPhone, mais do que a Siri”.
Outro ponto de atenção inclui as próximas gerações de hardware. Tim Cook já criou os relógios inteligentes e fones de ouvido. Agora, a Apple aposta em novas patentes, que precisam se provar nos próximos tempos.
Mulberry ainda destacou a dependência da Apple em relação à fabricação na China. “Além da IA, a pressão para continuar a retirar a produção da China sem afetar as margens de lucro é uma tarefa árdua, mas parte desse processo já está em andamento”, disse ele.
Isso porque, desde as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China, a Apple vem transferindo sua produção para outros países. A fabricação de iPhones enviados aos EUA foi para a Índia, e dispositivos como AirPods e iPads foram para o Vietnã.
*Com informações da Reuters