Mais que ‘Chat’, IA ajuda a combater fogo no Pantanal e até monitora gado

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Startups apresentam soluções durante o Pantanal Tech 2026. (Divulgação Um Grau e Meio | Divulgação Kerow)

Durante o Pantanal Tech 2026, em Aquidauana, palestras e estandes apresentaram a Mato Grosso do Sul tecnologias voltadas à prevenção de incêndios florestais e ao monitoramento do rebanho com uso de IA (inteligência artificial). O objetivo seria contribuir para a proteção do bioma e aumentar a eficiência da atividade agropecuária.

Duas torres de monitoramento de incêndio automatizadas, que giram 360 graus 24 horas por dia, foram implantadas no Parque Estadual Pantanal do Rio Negro. De acordo com o gerente de Meio Ambiente e Certificações da Bracell, João Augusti, as estruturas estão ligadas a duas centrais de controle que ficam em Campo Grande, uma delas diretamente conectada ao Corpo de Bombeiros.

(Divulgação/umgrauemeio)

A estrutura foi montada pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) em parceria com a empresa Bracell e a desenvolvedora Umgrauemeio. A implantação desse sistema faz parte de um acordo de cooperação entre o órgão e a iniciativa privada, assinado em 2023.

A qualquer risco de incêndio ou fumaça no parque, esse sistema automatizado com IA detecta a distância, a localização e o potencial de propagação do fogo. ”O alerta vai para a equipe dos bombeiros, que aciona as brigadas, os veículos ou qualquer outro instrumento que possa, rapidamente, eliminar esse foco de incêndio e proteger o parque”, explicou o gerente.

O principal foco seria na agilidade em conter o fogo, porque, de acordo com o soldado Torres, de 28 anos, que trabalha no 3º Grupamento de Bombeiros Militar em Corumbá, no coração do Pantanal, quanto mais rápida a ação, menor o impacto na natureza. Segundo ele, a inteligência artificial ajuda nesse combate com o uso de drones, até mesmo para o monitoramento térmico nas regiões.

E não é só no monitoramento do fogo. Durante a terceira edição do Pantanal Tech, outras tecnologias de automatização também foram apresentadas.

Fabiana Sterza, de 49 anos, é coordenadora do Gentra (Grupo de Estudos em Tecnologia da Reprodução Animal) da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e trabalha na área de reprodução animal, especificamente na melhoria da eficiência da inseminação artificial e da transferência de embriões bovinos.

Ela explica que a ideia é integrar essa visão computacional à identificação e pesagem dos animais, sem a necessidade de balança. “É tudo por meio do uso de câmeras ligadas a painéis solares. Isso é integrado diretamente a um software em que o produtor vai poder acompanhar o desenvolvimento da saúde e do peso dos animais pelo próprio celular”, afirmou a coordenadora.

A inteligência artificial que o grupo usa foi desenvolvida por Fabrício Weber, de 48 anos, CEO da empresa Kerow. Ele é formado em Ciências da Computação, mas decidiu se especializar em Zooctenia e, agora, juntou as duas paixões ao trabalhar com a automatização no campo.

“A gente usa visão computacional e inteligência artificial. Nós pegamos essas imagens, tanto o vídeo como a imagem, tiramos as medidas em pixels e transformamos em medidas em reais. É como se eu estivesse com uma trena, tirando todas as medidas biométricas possíveis desse animal, para transformá-las em uma informação computacional.”

(Divulgação, Kerow)

Além da eficiência, essas soluções automatizadas podem ajudar a reduzir o estresse nos animais, um dos propósitos do evento, que busca trazer inovações práticas que aumentam a preservação da fauna e da flora do bioma.

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