Transporte do elefante Sandro até santuário no MT conta com apoio da PRF-MS

Correio do Estado

Por volta de meio-dia e meia, pelo horário local, houve uma parada no Posto de Combustíveis Platinão, que fica no quilômetro 459 da BR-163. – Reprodução

Com Mato Grosso do Sul no meio da rota entre o zoológico de Sorocaba e o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), o transporte por aproximadamente 1,6 mil quilômetros desse espécime de 55 anos batizado de Sandro contará até mesmo com o apoio da Polícia Rodoviária Federal no Estado.

Conforme repassado pela PRF-MS, esse deslocamento começou ainda ontem (16) e a previsão é que até sexta-feira (18) Sandro chegue ao santuário na Chapada dos Guimarães. Por volta de meio-dia e meia, pelo horário local, houve uma parada no Posto de Combustíveis Platinão, que fica no quilômetro 459 da BR-163.

Dr. Mateus Bianchini é médico veterinário do Santuário de Elefantes Brasil e, na manhã de hoje (17), deu detalhes sobre o segundo dia de viagem de Sandro, sanando dúvidas principalmente quanto à alimentação desse animal durante o transporte.

“A gente não mudou a dieta principal, ele vem comendo aquele mesmo misturado que faziam de capim com os vegetais e estamos testando outras coisas também para a gente avaliar o comportamento dele, como está reagindo durante a viagem”.

Com um apetite mais “caprichoso” durante a viagem, Sandro têm recebido algumas frutas inteiras, mantendo o padrão das refeições que recebia no zoológico até então.

“Ele tinha interesse algumas vezes por algumas frutas, frutas inteiras que nem maçãs, ele comia melão lá também, ele comia mamão, mamão inteiro, muitas vezes usado para dar as medicações dele, colocava uma medicação dentro de um mamão inteiro para ofertar para ele”, conclui o médico em boletim.

Elefante Sandro
Acompanhado durante o transporte por câmeras instaladas em sua caixa climatizada, esse animal tem suas origens datada há mais de meio século, sendo capturado na Ásia ainda bebê, em 1971, levado até um zoológico holandês em Cauberg para ser adestrado por um “famoso treinador de elefantes”, que foi contratado neste mesmo ano para vir ao Brasil junto de Sandro e dois outros elefantes.

Sandro passou cerca de uma década como atração de circos itinerantes, negociado posteriormente e enviado até o Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros em Sorocaba, em 1982.

Depois de mais de dez anos sozinho, em 1995 Sandro recebeu a companhia de Haisa, uma elefante asiática que havia saído do zoológico Beto Carrero e viveu até 2020, com a artrose ligada ao confinamento estando intimamente ligada a sua morte, como apontaram resultados de necrópsia.

Importante frisar que Sandro não está sedado para o transporte, uma vez que devido à sensibilidade e inteligência desses animais eles acabam lidando melhor com a viagem quando estão conscientes de tudo ao redor.

Essa transferência só acontece após determinação judicial, na caixa que pesa cerca de 10 toneladas e conta com cinco metros de comprimento, 3,5 de altura e 2,25 metros de largura.

“Em uma transferência como essa, não é o relógio que determina o ritmo. É o elefante. Todo o planejamento existe para que possamos adaptar a operação às necessidades de Sandro e fazer o percurso da forma mais segura possível”, esclarece em nota o biólogo e diretor do Santuário de Elefantes Brasil, Daniel Moura.

Assim que chegar ao Santuário, Sandro não será imediatamente colocado junto dos demais animais, com sua aproximação com as seis elefantes asiáticas do local, Maia, Rana, Mara, Bambi, Guillermina e Baby acontecendo de forma gradual.

Realidade desde 2016, o santuário localizado na Chapada dos Guimarães conta com aproximadamente 1,2 mil hectares de área, possuindo equipe especializada dedicada ao acompanhamento dos animais.

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