Nove anos após crime, Paraguai cobra condenação de assassino de jornalista

O jornalista Pablo Medina, repórter do ABC Color assassinado há 9 anos (Foto: ABC Color)

Nesta segunda-feira (16) faz nove anos que o jornalista paraguaio Pablo Medina, 53, e sua assistente Maribel Antonia Almada Chamorro, 19, foram executados a tiros na fronteira do Paraguai com Mato Grosso do Sul.

Repórter investigativo do jornal ABC Color, o mais influente do Paraguai, Medina voltava de uma reportagem na zona rural de Villa Ygatimi, perto de Paranhos (MS), quando foi tocaiado na estrada. Ele e Antonia foram mortos a tiros de escopeta calibre 12 e de pistola 9 milímetros.

O crime foi encomendado pelo ex-prefeito de Ypehjú (cidade separada por uma rua de Paranhos), Vilmar Acosta Marques, o Neneco, após Pablo Medina publicar reportagens ligando a família do político ao narcotráfico.

Procurado pela Justiça paraguaia, Neneco foi capturado no dia 4 de março de 2015 entre os municípios de Caarapó e Juti, em Mato Grosso do Sul. Em dezembro de 2017, foi condenado a 39 anos de reclusão e cumpre pena no Paraguai.

Entretanto, os dois autores materiais do duplo assassinato estão presos no Brasil. Flavio Acosta Riveros, sobrinho de Neneco, foi condenado a 36 anos de reclusão pela morte de Pablo e Antonia. A sentença foi definida pelo Tribunal do Júri de Curitiba (PR), em fevereiro de 2021, seis anos após o pistoleiro ser preso em Pato Branco (PR).

Wilson Acosta Marques, tio de Flavio e irmão de Vilmar Acosta Marques, está preso em Mato Grosso. Ele foi capturado em 29 de março de 2020 em Campo Verde (MT).

O Ministério Público do Paraguai solicitou a extradição dos dois, mas os pedidos foram negados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) pelo fato de Wilson e Flavio terem dupla nacionalidade. A Constituição Federal impede a extradição de cidadãos brasileiros.

Hoje, o jornal ABC Color publicou extensa reportagem para lembrar os nove anos do assassinato de Pablo Medina e Antonia Almada e cobrar da Justiça brasileira o julgamento de Wilson Acosta Marques. Segundo o jornal paraguaio, o pistoleiro segue preso em Mato Grosso, onde será julgado em data ainda desconhecida.

Fonte: CGN/ML

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