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Para Paulo César Barbosa Vieira, desenvolvimento também pode ser medido pelo tempo que deixou de perder na estrada. Produtor de pecuária bovina em Dourados, ele lembra de uma rotina em que resolver questões administrativas ligadas à propriedade exigia deslocamentos. Hoje, parte desses serviços pode ser feita sem que ele precise sair do campo.
“Nós temos visto uma grande melhora em estradas, asfalto onde não havia e uma modernização dos sistemas do Governo, de Agência e Iagro, principalmente. Hoje nós não precisamos mais nos deslocar. Conseguimos fazer tudo on-line, de forma fácil”, relatou.
Na prática, explica o produtor, menos burocracia presencial significa mais horas dedicadas à atividade rural. E melhores estradas interferem diretamente em outra conta conhecida por quem depende do campo: o tempo e o custo necessários para levar a produção até seu destino.
“Isso reduz o tempo, facilita o serviço no campo. A gente tem mais tempo para produzir, mais e melhores estradas, o que facilita o transporte da produção e diminui tempo e custo”, afirmou.
A experiência de Paulo César ajuda a traduzir uma discussão muito maior realizada nesta semana em Dourados. Produtores rurais, dirigentes sindicais, representantes da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) e empresários se reuniram com o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, para discutir os próximos passos de um setor que há muito deixou de terminar na porteira das propriedades.
A candidatura de Riedel ao Governo de Mato Grosso do Sul pelo Progressistas está deferida para as eleições de 2026.
Hoje, aquilo que nasce no campo atravessa uma cadeia que envolve transporte, armazenagem, indústria, comércio, tecnologia, pesquisa e serviços. É nesse caminho que aparecem também os gargalos: estradas, logística, mão de obra qualificada, custos de produção e capacidade de transformar matéria-prima em produtos de maior valor.
Em maio, durante a Expoagro, Riedel já havia apontado custos, questões climáticas e gargalos logísticos entre as dificuldades enfrentadas pelo setor. No encontro mais recente, o debate avançou sobre a estrutura necessária para sustentar uma nova etapa de crescimento.
Produtor de soja e milho e presidente do Sindicato Rural de Itaporã, Cláudio Pradela acompanha há décadas as mudanças na agropecuária sul-mato-grossense. Para ele, a proximidade do Governo com quem produz é um dos elementos importantes para que os problemas do campo cheguem ao poder público.
Pradela fez uma avaliação positiva da atual gestão e defendeu sua continuidade.
“Eu conheci todos os governadores que passaram aqui até hoje, tenho contato com todos eles. Agora eu nunca vi um governador como o que nós temos agora, fazendo um trabalho como ele está fazendo”, afirmou.
Além do apoio político, a fala do produtor aponta para uma questão que atravessou o encontro: Mato Grosso do Sul possui espaço para ampliar sua produção, mas esse crescimento depende de infraestrutura e de condições para que aquilo que é produzido possa circular, ser processado e chegar aos mercados.
Diretor do Sindicato Rural de Dourados, José Tarso Rosa também chamou atenção para o peso do setor na economia estadual.
“O agro é a mola propulsora do Mato Grosso do Sul. Então nós temos que continuar dando essa possibilidade para o Mato Grosso do Sul. Isso é muito importante”, disse.
O presidente do Sindicato Rural de Dourados, Gino Ferreira, acrescentou outra dimensão: a necessidade de diálogo entre Governo e produtores para que demandas específicas do campo sejam consideradas nas decisões públicas.
“O governador Eduardo Riedel é um cara comprometido com o agronegócio, é um cara que nasceu no agronegócio. Ele conhece o agronegócio como ninguém”, afirmou Ferreira.
Para quem está na propriedade, porém, essa relação se torna perceptível quando chega à rotina. É justamente aí que a experiência de Paulo César volta à discussão: uma estrada melhor ou um serviço que migra do balcão para o computador pode parecer uma mudança administrativa, mas se converte em horas de trabalho, combustível economizado e maior facilidade para transportar a produção.
Outra discussão que ganhou espaço entre produtores e Governo é a relação entre atividade econômica e preservação ambiental.
Presidente da Famasul, Marcelo Bertoni citou o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais no Bioma Pantanal, o PSA Bioma Pantanal, como exemplo de uma política criada para oferecer incentivo econômico à conservação.
“Quem preserva hoje é o produtor rural e, quando ele preserva mais do que a lei, é lógico que ele tem que ter um incentivo para isso. Ele faz um bem para a sociedade”, afirmou.
O programa estadual prevê remuneração por serviços ambientais e possui, entre suas frentes, o PSA Conservação, voltado à manutenção de vegetação nativa remanescente nas propriedades. A política também contempla ações de prevenção e combate aos incêndios florestais.
A proposta representa uma mudança na forma de tratar a preservação dentro da própria economia rural: conservar uma área além das exigências legais deixa de ser visto apenas como uma restrição ao uso da terra e passa a poder gerar uma compensação ao proprietário que mantém aquela vegetação.
Para Bertoni, esse mecanismo aproxima dois interesses que durante décadas foram apresentados muitas vezes como opostos: produção e conservação.
O futuro do agronegócio discutido em Dourados também não termina no campo. Quanto maior a capacidade de processar a produção dentro de Mato Grosso do Sul, maior a possibilidade de que uma parcela do valor gerado permaneça no Estado na forma de indústrias, serviços, empregos e renda.
Presidente do Sindicato Rural de Amambai, Douglas Peixoto destacou justamente o efeito que novos investimentos privados podem produzir sobre os municípios.
“Quando você injeta mais recurso privado na economia, oxigena. E quem ganha é a população, porque gera emprego direto e indireto, aumenta as cidades e desenvolve as cidades”, afirmou.
Essa transformação traz consigo outro desafio: encontrar trabalhadores preparados para as novas vagas.
Durante o encontro, Riedel afirmou que 55 mil estudantes do ensino médio da rede estadual estão matriculados em cursos profissionalizantes. O número foi apresentado pelo governador como parte da estratégia de aproximar educação e mercado de trabalho diante da expansão econômica do Estado.
A questão é particularmente importante porque a industrialização do agro muda também o perfil dos empregos. Ao lado das ocupações tradicionais da propriedade rural, surgem demandas em áreas técnicas, industriais, logísticas e tecnológicas.
Foi nesse ponto que Riedel ampliou a discussão para além do agronegócio. Segundo ele, crescimento econômico, educação e políticas sociais precisam funcionar de maneira integrada para que a expansão da economia também resulte em oportunidades de ascensão.
Os dados apresentados pelo Estado mostram que, entre 2022 e 2024, a população em situação de extrema pobreza caiu de 2,7% para 1,6%, enquanto a proporção em situação de pobreza recuou de 23% para 17,7%. Os percentuais constam também da iniciativa “Sem Deixar Ninguém Para Trás” apresentada ao Centro de Liderança Pública.
Em agosto, a iniciativa esteve entre as vencedoras do Prêmio Excelência em Competitividade 2026, promovido pelo Centro de Liderança Pública.
Riedel, entretanto, disse considerar outro indicador especialmente relevante.
“Mobilidade social é a ambiência que o Estado tem para uma criança ascender socialmente pelos próximos 20 anos”, afirmou.
O Atlas da Mobilidade Social 2025 colocou Mato Grosso do Sul na primeira posição entre os estados na probabilidade de uma criança de baixa renda alcançar, na vida adulta, os 10% de maior renda do país. O levantamento foi desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) em parceria com o Grupo de Avaliação de Políticas Públicas e Econômicas da Universidade Federal de Pernambuco.
Na interpretação apresentada pelo governador, é justamente aí que educação, crescimento e geração de oportunidades se encontram: a expansão econômica cria vagas, enquanto a formação profissional procura preparar os jovens para ocupá-las.
Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Dourados (ACED), Everaldo Leite Dias acompanha essa transformação pelo lado urbano da economia. Empresário há mais de quatro décadas na cidade, ele destacou durante o encontro a diversificação das atividades econômicas e a necessidade de continuidade das políticas voltadas ao desenvolvimento.
A percepção ajuda a completar o caminho iniciado na propriedade de Paulo César.
Aquilo que para o pecuarista aparece na forma de uma estrada melhor ou de um serviço público que pode ser resolvido pela internet se conecta, algumas etapas adiante, ao caminhão que transporta a produção, à indústria que processa a matéria-prima, ao comércio que atende trabalhadores e empresas e aos jovens que precisam se preparar para profissões que talvez nem existissem em seus municípios alguns anos atrás.
É por isso que, em Dourados, falar sobre o futuro do agro significa falar também sobre o futuro das cidades.
A reunião teve ainda uma dimensão eleitoral. A senadora Tereza Cristina, que apoia a candidatura de Riedel à reeleição, defendeu a participação do setor produtivo na campanha e convocou produtores e empresários a se envolverem no processo eleitoral.
“É com a política que nós vamos mudar. Então, meus amigos, adesivem, conversem, participem. Essa eleição é importante, e nós precisamos estar presentes para defender aquilo em que acreditamos”, afirmou.
Entre o apoio político manifestado pelas lideranças e as demandas apresentadas pelos produtores, o encontro deixou evidente que o próximo ciclo do agronegócio sul-mato-grossense dependerá não apenas de ampliar a produção. Passará também pela capacidade de escoá-la melhor, agregar valor dentro do Estado, preservar recursos naturais, formar trabalhadores e transformar crescimento econômico em oportunidades.
Para Paulo César, parte dessa transformação já pode ser percebida de uma maneira bastante simples: menos horas resolvendo burocracia e mais tempo dentro da propriedade. Em um setor em que distância, prazo e custo entram diariamente na conta, tempo também é produtividade.