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Corpo de sul-mato-grossense desaparecido há 2 meses no Japão é encontrado

Por Redação

Em 24 de fevereiro de 2026

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Kennedy Kashiwabara estava desaparecido desde 22 de dezembro (Foto: Arquivo pessoal).

Exame de DNA indica que o corpo encontrado no Japão é do sul-mato-grossense Kennedy Kashiwabara, de 38 anos, nascido em Campo Grande e morador do país asiático há mais de 20 anos. Mesmo assim, a mãe, Cleocir Ribeiro da Silva, afirma que mantém a esperança de que não seja o filho.

Kennedy está desaparecido desde 27 de dezembro. A família vive em Campo Grande e aguarda informações oficiais das autoridades japonesas.

Segundo Cleocir relatou ao Campo Grande News na tarde de hoje, o pai de Kennedy viajou da província de Gunma até Tóquio para reconhecer o corpo. “No DNA a polícia disse que seria, mas minha esperança é de não ser ele. Estamos esperando confirmar que não seja”, declarou.

O pai mora a cerca de 400 quilômetros da casa onde Kennedy vivia. Ele deve sair de Gunma, onde está, até Tóquio, trajeto de pouco mais de 100 quilômetros, estimado em cerca de uma hora a uma hora e pouco. O ex-cunhado de Kennedy vai acompanhá-lo. No momento do relato, já era noite no Japão e eles estavam dormindo, com previsão de saída nas primeiras horas do dia.

A expectativa da família é que, após o reconhecimento e os contatos previstos, o pai repasse uma conclusão mais concreta.

Mãe contesta suposta causa da morte – Cleocir afirma que um site publicou que Kennedy teria tirado a própria vida. Ela diz que a situação já é dolorosa e que piora ao ler que o filho “se suicidou”. Segundo ela, “não tem hipótese nenhuma”.

A mãe questiona qual seria a motivação. Afirma que o filho “estava super bem” e contesta qualquer menção a “depressão crônica”. De acordo com ela, Kennedy falava com a família todos os dias, trabalhava normalmente, cumpria horário, voltava para casa e conversava diariamente com o irmão sobre assuntos cotidianos, como novidades, jogos e pescaria.

Ela também considera ilógica a versão de que ele teria saído de uma cidade para outra, percorrido mais de 100 quilômetros, deixado casa e carro abertos para “ir a pé” e se jogar na frente de um trem.

Cleocir reforça que, oficialmente, a polícia ainda não comunicou como o caso ocorreu. Por isso, afirma que o site publicou a informação por conta própria. A família também busca registros de acidentes ferroviários em dezembro, janeiro e início de fevereiro para verificar se houve ocorrência relacionada. Até o momento, segundo ela, nada foi encontrado.

Desaparecimento – Na época do desaparecimento, os familiares relataram que Kennedy mantinha contato diário com o irmão que mora em Campo Grande. Todos os dias, após o trabalho, ele acessava o computador para jogar e, nesse período, conversava com frequência sobre pescaria, jogos e assuntos do cotidiano. Também era comum o envio de vídeos de memes e pescarias antes de dormir ou durante momentos de descanso.

Ainda segundo a família, naquele período Kennedy não possuía vícios, como fumar, ingerir bebidas alcoólicas ou fazer uso de substâncias ilícitas.

O último contato direto com o irmão, por computador ou mensagens, ocorreu no dia 22 de dezembro. Nos dias seguintes, a ausência chamou atenção, já que Kennedy deixou de acessar a internet e não enviou mais mensagens ou vídeos, comportamento considerado fora do padrão pela família.

No dia 25 de dezembro, após a meia-noite no Japão, o irmão enviou uma mensagem desejando Feliz Natal. Ao receber a resposta, afirmou ter percebido que o texto não havia sido escrito por Kennedy, pois o modo de escrever não correspondia ao padrão habitual. A mensagem era curta e sem detalhes.

Na mesma resposta, foi informado que Kennedy estaria ausente porque estaria saindo do trabalho às 22h. A informação entrou em contradição com o que ele havia dito no dia 22, quando afirmou que estava saindo mais cedo devido à falta de serviço. A divergência levantou suspeitas na família ainda naquele momento.

No dia 28 de dezembro, o irmão relatou que foi informado pelo ex-cunhado de Kennedy de que o chefe dele teria comunicado o desaparecimento no dia 27. Essa informação teria sido repassada a partir das Filipinas.

Segundo o relato atribuído a esse chefe, ele teria levado Kennedy a um restaurante em frente ao PIT100, em Otta, e depois ambos teriam ido jogar bilhar. Ainda conforme essa versão apresentada à família, no local Kennedy teria manifestado a intenção de ir até a delegacia de Otta para registrar uma ocorrência.

O chefe brasileiro teria informado que não poderia acompanhá-lo até a delegacia porque precisava realizar pagamentos em um konbini, termo japonês para loja de conveniência. Assim, Kennedy teria ido acompanhado de um cidadão peruano, descrito como líder na empresa, até a delegacia de Otta.

De acordo com o relato do peruano, ao chegarem à delegacia de Otta, um policial teria orientado que a ocorrência fosse registrada na delegacia de Oizumi, cidade onde Kennedy morava. Ao saírem do local, Kennedy teria optado por retornar a pé, alegando que queria passear.

Desde o início, a família considerou essa versão incompatível com o comportamento habitual dele, já que, segundo os relatos, Kennedy não costumava nem se deslocar a pé até uma conveniência a duas quadras de casa, sendo improvável que retornasse caminhando de Otta para Oizumi.

Ainda no dia 28, o pai registrou oficialmente a ocorrência de desaparecimento na delegacia de Oizumi. O irmão solicitou que fosse feita verificação junto à delegacia de Otta para confirmar se houve tentativa de registro de ocorrência em nome de Kennedy Kashiwabara. Segundo o policial responsável em Otta, não houve qualquer pessoa com esse nome tentando registrar ocorrência naquela unidade.

Diante desses fatos, o irmão afirmou que as versões apresentadas continham contradições e aparentavam ser inconsistentes. Todos os nomes dos supostos envolvidos e os locais mencionados foram informados às autoridades competentes, o que, no entendimento da família, fornecia elementos suficientes para apuração e esclarecimento do desaparecimento.

Posteriormente, o irmão entrou em contato com o brasileiro citado no relato. Ele afirmou que não houve conflito, apenas uma conversa entre ambos e uma terceira pessoa no dia 22. Questionado sobre quem seria essa terceira pessoa ou sobre possíveis testemunhas, evitou responder, não informou nomes e passou a desconversar.

Segundo a família, o tom da conversa se alterou em seguida. O homem afirmou que o irmão estaria desconfiando dele, disse que apenas queria ajudar, passou a proferir ofensas verbais e encerrou a ligação de forma abrupta.

Naquele período, a família registrou oficialmente o desaparecimento junto à polícia japonesa, mas informou que não havia retorno sobre o andamento das investigações. Também foram feitas tentativas de contato com a Embaixada do Brasil no Japão e consulados, sem resposta, segundo os familiares.

O que se sabia até então era que a polícia havia entrado em contato com o empregador japonês de Kennedy, que estaria nas Filipinas. Kennedy é divorciado e pai de dois adolescentes, de 14 e 15 anos, que moram na mesma cidade.

CGN/AB

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