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BC mantém juros em 15% e sinaliza corte em março

Por Redação

Em 29 de janeiro de 2026

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Foto: Getty Images

O Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic – que mede os juros básicos do país – em 15% ao ano na primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do ano, realizada nesta quarta-feira (28). A decisão foi tomada de forma unânime entre os sete diretores que compõem o colegiado.

Após seis reuniões e cinco manutenções seguidas, a Selic segue estacionada no maior patamar em 20 anos desde junho de 2025.

Mas após um período “bastante prolongado” em que o BC sinalizou que manteria os juros em patamar muito restritivo para conter a inflação, e se o cenário projetado se confirmar até a próxima reunião, em março, o Copom apontou que deve iniciar a flexibilização da política monetária. A magnitude do corte não foi adiantada.

“O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, escreve o Copom em comunicado.

Assim, o colegiado buscou reforçar “que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

Cenário econômico

O BC voltou a chamar atenção para um ambiente externo que ainda é incerto, “em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais”.

“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”, pontua.

Para o cenário doméstico, a avaliação é de que os indicadores seguem convergindo favoravelmente ao trabalho da política monetária. Atividade econômica apresenta sinais de moderação e o mercado de trabalho segue resiliente, enquanto a inflação e seus componentes estão se controlando, apesar de seguirem acima da meta perseguida pela autarquia.

“O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, diz o comunicado.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.”

O Copom manteve suas estimativas para o horizonte relevante da política monetária, projetando um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 3,2% para o terceiro trimestre de 2027. Segregadas, porém, as estimativas para preços livres e administradas foram reduzidas para 3,1% e 3,3%.

A expectativa para este ano foi reduzida, por outro lado, de 3,5% previsto na reunião de dezembro para 3,4%.

O Banco Central trabalha com uma meta de inflação acumulada em 12 meses de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual.

Expectativas do mercado

A diretoria da autoridade monetária atendeu às expectativas ventiladas pelo mercado.

O Sistema Expectativas de Mercado, apurado semanalmente pelo BC para o boletim Focus, mostra que a mediana dos agentes econômicos apostava em manutenção dos juros de 15% nesta quarta, apontando corte apenas na próxima reunião, que será realizada entre os dias 17 e 18 de março.

As estimativas apontam que os juros fecham o ano em 12%, e não devem ficar abaixo de dois dígitos antes do final de 2027.

CNN

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