Com escassez de combustível na Bolívia, motoristas cruzam a fronteira para abastecer em Corumbá

DC/AB

Foto: Leonardo Cabral/Diário Corumbaense

A escassez de combustível voltou a afetar moradores da Bolívia e provoca mudanças no movimento de abastecimento na região de fronteira com Corumbá. Enquanto por anos brasileiros atravessavam para Puerto Quijarro e Puerto Suárez em busca de combustível com preços mais baixos, o cenário tem se invertido há algum tempo: motoristas bolivianos passaram a procurar postos do lado brasileiro para garantir o abastecimento.

Na região fronteiriça, moradores enfrentam o terceiro dia de dificuldades para encontrar gasolina. Em um dos postos localizado na principal avenida que liga Arroyo Concepción a Puerto Quijarro, longas filas de veículos se formaram à espera da chegada do combustível. Alguns motoristas também deixaram galões na sequência da fila para garantir o abastecimento.

Outra concentração de veículos ocorre em um posto às margens da Rodovia Bioceânica, na entrada de Puerto Suárez. Como o trecho não possui acostamento, os carros ocupam parte da via, exigindo atenção redobrada dos condutores que passam pelo local.

Movimento aumentou até 50%

Ao Diário Corumbaense, frentista de um dos postos mais movimentados da região central de Corumbá informou que houve aumento significativo de veículos bolivianos nos últimos dias.

Movimento de carros com placas da Bolívia nos postos de Corumbá aumentou em 50%

Segundo ele, o crescimento na procura por abastecimento varia entre 40% e 50%. “Percebemos o aumento de carros da Bolívia. Muitos motoristas relatam que, apesar do preço aqui ainda ser mais alto, o abastecimento é rápido e garantido, já que lá a falta de combustível chega ao terceiro dia. O movimento começou no domingo, mas nos últimos dois dias aumentou bastante”, relatou.

O frentista também afirmou que alguns motoristas bolivianos chegam aos postos com galões para abastecimento e dizem que, diante da dificuldade de encontrar gasolina no país, compensa atravessar a fronteira para completar o tanque em Corumbá.

O problema de abastecimento não está restrito à faixa de fronteira. Em Santa Cruz de la Sierra, distante cerca de 650 quilômetros da fronteira com o Brasil, motoristas também enfrentam dificuldades desde o fim de semana.

Do lado boliviano, até galões são colocados em fila de espera

Entre segunda-feira (28) e terça-feira (29), diversos postos registraram filas extensas, enquanto outros ficaram sem gasolina. Em alguns locais, motoristas relataram espera de até duas horas para conseguir abastecer. Houve também casos de pessoas que precisaram passar por dois ou três postos antes de encontrar combustível disponível.

Em vários estabelecimentos, cones foram colocados para impedir o acesso às bombas após o fim do estoque. A situação aumentou a preocupação entre trabalhadores que dependem dos veículos para exercer suas atividades.

Longas filas de veículos se formaram à espera da chegada do combustível

A falta de gasolina também foi registrada em La Paz (capital da Bolívia) e Cochabamba.

Diesel importado

Enquanto a gasolina enfrenta restrições, o diesel ganhou uma nova alternativa de fornecimento em Santa Cruz. A chegada dos primeiros quatro milhões de litros de diesel importado, transportados por cerca de 100 caminhões-tanque, passou a atender produtores e grandes consumidores, informa o jornal El Deber.

O Governo Departamental de Santa Cruz informou que a distribuição ocorre por meio de uma parceria público-privada com empresas importadoras e disponibilizou uma plataforma para consulta das ofertas comerciais.

O diesel importado tem valor superior ao combustível comercializado pelo preço regulamentado, já que inclui custos de importação, logística e operação privada.

Por meio do Decreto 5716, de 18 de setembro, o governo boliviano suspendeu o subsídio ao diesel e estabeleceu o preço regulamentado de Bs 17,95 por litro.

Nas cidades bolivianas que fazem fronteira com Corumbá, a expectativa é de que o abastecimento comece a normalizar a partir desta quinta-feira (1º).

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