Quais países da América Latina têm educação melhor do que o Brasil, segundo o ranking Pisa

BBC

Foto: Sérgio Lima/AFP via Getty Images

O Brasil segue entre os países com pior desempenho no Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A avaliação é feita a partir de uma prova aplicada em 91 países e economias a estudantes de 15 anos. Na última edição, de 2025, que teve seus resultados divulgados nesta terça-feira (8/9), o Brasil ficou em 52º lugar em leitura, 57º em matemática e 67º em ciências. Houve ainda, pela primeira vez, a avaliação de resolução de problemas computacionais, em que o Brasil ficou na 69ª posição.

Na América Latina, considerando as quatro competências analisadas, Chile, Uruguai e Costa Rica tiveram pontuações superiores às do Brasil nas quatro áreas.

O Brasil obteve 409 pontos em ciências, 408 em leitura, 377 em matemática e 406 em resolução de problemas computacionais.

Já o Chile teve 442 pontos em ciências, 436 em leitura, 403 em matemática e 466 em problemas computacionais; o Uruguai, 445, 423, 405 e 462, respectivamente; e a Costa Rica, 424, 416, 387 e 452.

Entre os 13 países latino-americanos analisados, o Brasil ficou atrás de 5 países em ciências (Chile, Uruguai, Costa Rica, México e Colômbia); de 6 em leitura (Chile, Uruguai, Costa Rica, México, Colômbia e Peru); de 6 em matemática (Chile, Uruguai, Costa Rica, México, Colômbia e Peru); e de 7 em resolução de problemas computacionais (Chile, Uruguai, Costa Rica, México, Colômbia, Peru e Equador).

O grupo de países da América Latina não foi selecionado pela OCDE como uma amostra regional, já que a participação no Pisa é voluntária e varia de uma edição para outra — o Panamá, por exemplo, participou do Pisa 2022, mas não do de 2025, enquanto o Equador participou pela primeira vez em 2025.

Essa mudança torna comparações regionais entre as duas edições mais difíceis. No caso do Brasil, porém, é possível comparar os resultados diretamente: o país passou de 403 para 409 pontos em ciências, enquanto caiu de 410 para 408 em leitura e de 379 para 377 em matemática.

A resolução de problemas computacionais, por sua vez, não foi avaliada no Pisa 2022, portanto não é possível comparar o desempenho brasileiro nessa área entre as duas edições.

Já entre todos os países analisados, a pior posição do Brasil entre as quatro competências aparece em resolução de problemas computacionais, na 69ª colocação entre os 91 participantes. Já sua melhor posição é em leitura, área em que aparece em 52º lugar.

Os melhores resultados do Pisa seguem concentrados no Leste Asiático. China e Cingapura tiveram os melhores desempenhos simultaneamente em ciências, leitura e matemática. Quando se considera também a resolução de problemas computacionais, Macau, Cingapura, China e Japão aparecem entre os destaques.

Como é feita a avaliação

A avaliação é feita a cada três anos por meio de uma prova padronizada aplicada a estudantes de 15 anos.

Em 2025, cerca de 760 mil estudantes, representando 33 milhões de jovens, participaram da avaliação em 91 países e economias.

Na última edição, foram avaliadas quatro competências: ciências, leitura, matemática e resolução de problemas computacionais.

Os resultados são apresentados em pontuações médias separadas para cada uma das áreas, e os estudantes também são classificados em diferentes níveis de proficiência.

Uma professora escreve no quadro enquanto alunos, usando máscaras, acompanham a aula sentados em carteiras espaçadas em uma sala de aula. A cena mostra medidas de distanciamento adotadas durante a pandemia de Covid-19.

Crédito,Miguel Schincariol/Getty Images

Legenda da foto,Sala de aula em escola estadual de São Paulo, em outubro de 2020, durante a retomada das atividades presenciais na pandemia de Covid-19

Quase metade dos estudantes brasileiros já usam IA

A inteligência artificial também entrou no radar do Pisa. A avaliação perguntou aos estudantes com que frequência eles utilizavam chatbots de IA, como o ChatGPT, para atividades escolares.

Até 2025, 86% disseram ter feito uso da ferramenta ao menos alguma vez para pelo menos uma das atividades escolares investigadas pelo Pisa.

Entre as utilizações pesquisadas estavam pedir à IA que ajudasse o aluno a aprender, fazer uma pesquisa preliminar sobre um tema, elaborar textos para trabalhos escolares e resumir textos que precisavam ser lidos.

Na média, “ajudar a aprender” foi o uso mais comum, seguido por pesquisa preliminar, produção de textos e resumo de leituras. O uso quase diário, por outro lado, ainda era relativamente incomum.

No caso do Brasil, 48% dos estudantes dizem usar chatbots semanalmente para aprender, ante 46% na média dos países e economias participantes da pesquisa da OCDE. Já 40% fazem uso da ferramenta para pesquisas preliminares sobre um novo tema, contra 31% nessa média. Para resumir textos que precisam ler, são 31%, ante 30%; e 27% usam a IA para fazer rascunhos de textos, três pontos percentuais a menos que a média, de 29%.

Interface do ChatGPT.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,No Brasil, quase metade dos alunos que participaram da pesquisa da OCDE disseram usar semanalmente IAs como o ChatGPT para estudar

A relação entre IA e desempenho, segundo o relatório, não é simples.

Em geral, estudantes que não usavam chatbots para trabalhos escolares apresentavam notas mais altas do que os que usavam. Ao mesmo tempo, entre os alunos que recorriam à IA com o objetivo de “ajudar a aprender”, aqueles que relataram uso moderado tiveram desempenho ligeiramente superior ao dos que usavam a ferramenta raramente ou de maneira intensiva.

Para tarefas específicas, como resumir textos ou fazer pesquisas preliminares, usuários moderados também apresentaram resultados melhores do que usuários muito pouco frequentes ou intensivos.

O próprio Pisa ressalta, porém, que esses resultados não permitem concluir que a IA cause melhora ou piora no desempenho.

O relatório também chama atenção para as diferenças de acesso. Estudantes que não usavam IA para trabalhos escolares tendiam a vir de contextos socioeconômicos mais desfavorecidos, enquanto os usuários mais frequentes tendiam a ser mais favorecidos.

Outra frente investigada foi o papel da própria escola. Na média dos países, cerca de seis em cada dez estudantes disseram ter recebido, durante as aulas, alguma tarefa para avaliar a qualidade de informações produzidas por IA.

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