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O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou nesta terça-feira (1º) que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), deveria renunciar ao seu cargo porque agia como advogado de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Moraes fez edições em um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, antes de o documento ser assinado. As informações constam em análise da Polícia Federal sobre metadados de documento do contrato que estava no celular do ex-banqueiro. A investigação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha de S.Paulo.
“Moraes era de fato o advogado do Vorcaro, né? […] Acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem a menor condição de ele continuar sendo ministro do Supremo”, disse Flávio.
Além disso, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal.
O presidenciável do PL já se posicionou a favor do impeachment de Moraes, considerado um inimigo do bolsonarismo por ser o relator das ações da trama golpista, que culminaram na condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Como mostrou a Folha de S.Paulo, Flávio lançou 47 nomes para o Senado, sendo que a maioria é abertamente a favor de condenar ministros do STF à perda do cargo.
Também nesta terça, o ministro André Mendonça, do STF, pediu que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre um documento da PF no qual há mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor a atuação de “Andrei e Paulo” a seu favor. As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, o procurador-geral da República.
A pessoa para quem tinha sido enviada essa mensagem não havia sido identificada inicialmente, mas a PF aponta suspeita de que o interlocutor seja Alexandre de Moraes. A informação foi divulgada inicialmente pelo site Metrópoles e confirmada pela Folha de S.Paulo.
“Se ele [Moraes] edita os contratos da esposa, que estava ali oficialmente sendo contratada, se parece que tem alguma forma de ajudar o Vorcaro a dar garantia de que a Polícia Federal não atue em determinado momento ou que o procurador-geral da República se posicione a favor do Vorcaro por influência de Alexandre de Moraes… Então, são muitas acusações graves”, disse Flávio.
“Se ele não esclarecer e se comprovar essas suspeitas […], ele não tem a menor condição de continuar sendo ministro”, completou.
Flávio afirmou que é preciso “aguardar o andamento das investigações” e que Gonet e Andrei também devem explicações.
O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, também se manifestou em suas redes sociais. O ex-governador de Minas Gerais chamou o ministro de “projetinho de ditador”, disse que Moraes nunca o enganou e defendeu a prisão do magistrado.
“É por isso que ainda como governador de Minas protocolei o pedido de impeachment do Alexandre de Moraes. Impeachment é pouco. Ele merece é cadeia. Chega de intocável enriquecendo às custas do povo. Prisão pra ele e que devolva todo o dinheiro”, disse.
Ainda nesta terça, Flávio foi questionado a respeito de novos repasses de Vorcaro ao filme Dark Horse, revelados pela revista piauí, e voltou a se recusar a responder, terceirizando novamente a prestação de contas para a produtora do filme, a Go Up Entertainment.
“Essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso. Tem que perguntar para a produtora. Desculpa”, disse.
Foi o senador, no entanto, que negociou com Vorcaro os repasses para o filme por meio de mensagens trocadas com o ex-banqueiro. Questionado sobre o fato de ter tratado pessoalmente do financiamento, ele insistiu que qualquer esclarecimento sobre esse assunto caberia somente à produtora do filme.
“Não adianta vocês ficarem me perguntando coisas que eu não tenho como responder”, disse.