Colômbia é alvo de 26 ataques em dois dias, dizem autoridades

CNN

Ataque com explosivos na Colômbia deixa 20 mortos • Reprodução/Reuters

Pelo menos 20 pessoas morreram no sábado (25) em um ataque com um dispositivo explosivo contra veículos na Rodovia Pan-Americana, em Cauca, no sudoeste da Colômbia, informaram as autoridades.

As Forças Armadas Colombianas atribuem o ataque a dissidentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), sob o comando do vulgo “Iván Mordisco”.

O Instituto Nacional de Medicina Legal confirmou em comunicado que 15 das 20 vítimas foram identificadas. Segundo o laudo pericial, as vítimas identificadas são 15 mulheres e cinco homens, nenhum deles menor de idade. Os corpos já foram liberados para as famílias.

“O instituto continuará trabalhando para avançar nos processos de identificação, garantindo rigor técnico, respeito à dignidade humana e apoio institucional às famílias dos cinco corpos que ainda precisam ser identificados”, declarou o Instituto de Medicina Legal.

Anteriormente, o governo de Cauca havia dito em um relatório preliminar que pelo menos 48 pessoas ficaram feridas, incluindo 5 menores de idade. O ataque atingiu pelo menos 15 veículos no setor de El Túnel, em Cajibío.

“Um artefato explosivo foi detonado na Rodovia Pan-Americana, no setor de El Túnel, em Cajibío, em um ataque indiscriminado contra a população civil que, preliminarmente, deixou 7 civis mortos e mais de 20 gravemente feridos”, declarou inicialmente o governador de Cauca, Octavio Guzmán, na rede social X.

No domingo (26), o gabinete do governador informou que o número de mortos subiu para 19, com 48 feridos, e decretou três dias de luto.

O que aconteceu “é uma tragédia que nos dilacera como departamento e entristece profundamente nossas famílias”, declarou Guzmán. “Palavras não conseguem expressar a dor que sentimos hoje.”

O governador de Cauca também observou que, nas últimas horas, outros casos violentos foram relatados em outros municípios, como El Túnel, El Tambo, Caloto, Popayán, Guachené, Mercaderes e Miranda; e fez um apelo “urgente” às autoridades nacionais para garantir a segurança.

“Estamos enfrentando uma escalada do terrorismo que exige ação imediata”, afirmou o governo.

Por sua vez, o comandante das Forças Armadas da Colômbia, Hugo Alejandro López Barreto, explicou em coletiva de imprensa que nas últimas horas houve “uma onda de ataques” nos departamentos de Cauca e Valle del Cauca, que ele atribuiu às “estruturas criminosas” dos dissidentes das FARC, “sob o comando do vulgo ‘Iván Mordisco’”.

“Durante esses dois dias, nos departamentos de Cauca e Valle del Cauca, ocorreram 26 ataques terroristas que afetaram nossa população civil”, informou López, que assegurou que essa série de ataques é uma resposta à “pressão constante” que o governo colombiano vem exercendo sobre as atividades criminosas desses grupos.

“Diante dessa ofensiva, esses criminosos estão recorrendo ao terrorismo e à prática de crimes contra a humanidade em uma tentativa desesperada de aliviar a pressão e gerar impacto midiático que mascare seu enfraquecimento”, afirmou o chefe das Forças Armadas.

“Aqueles que atacaram e mataram sete civis e feriram outros 17 em Cajibío, muitos deles indígenas, são terroristas, fascistas e narcotraficantes”, escreveu o presidente Gustavo Petro na rede social X.

Petro pediu “a máxima punição internacional desse grupo narcoterrorista”, que ele também associou ao pseudônimo “Iván Mordisco”.

Desdobramento e Oferta de Recompensa

O governo anunciou no domingo (26) que reforçará as operações em Cauca e anunciou medidas para proteger a população. O comunicado detalhou o destacamento de mais de 13 pelotões de cavalaria blindada, 12 pelotões de infantaria e forças policiais.

Além disso, anunciou uma recompensa de até um bilhão de pesos colombianos (aproximadamente R$ 3.527.000) por informações que levem à localização de indivíduos identificados como “líderes responsáveis”: sob o pseudônimo de Farley, David ou Mi Pez, e Jairo Ramírez.

O ataque ocorre horas depois da visita de Petro à Venezuela com a cúpula militar da Colômbia, onde ele e a presidente interina Delcy Rodríguez anunciaram um acordo para combater grupos criminosos ao longo da fronteira entre os dois países, uma das mais extensas da região, com mais de 2.219 quilômetros.

O Exército colombiano informou que está realizando vigilância aérea sobre a área do departamento de Cauca e mantendo vigilância constante para verificar a possível presença de artefatos explosivos e prevenir potenciais ameaças.

Todos os direitos reservados ® 2009 - 2026