
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) voltou a cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16). Com isso, a Selic está agora no patamar de 13,75%. A decisão foi unânime.
“O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 13,75% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, diz o comunicado do Copom.
“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.”
Esse é o quinto corte seguido feito pelo colegiado de diretores do BC desde março, e esta é a última reunião do Copom antes das eleições.
O BC reconhece que o cenário é de riscos “mais elevados que o usual”, com a balança pesando mais para tendência de alta da inflação.
Ainda assim, sinaliza que a continuidade do ciclo de calibração da política monetária fica dependente da evolução do cenário “à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.
“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”, afirma o colegiado.
“O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.”
O movimento vem alinhado com o consenso do mercado, que passou a reforçar suas apostas de flexibilização de juros após uma série de indicadores mostrarem o efeito da política monetária restritiva na queda da inflação e desaceleração da atividade econômica do país.
Os analistas também projetam que este será o último corte dos juros pelo Copom neste ano, segundo dados do Boletim Focus publicados nesta semana. As previsões apontam para a retomada do ciclo de flexibilização no ano que vem, com a taxa básica encerrando 2027 em 12%.
A balança de riscos do BC foi mantida como em sua última decisão, apontando mais fatores que podem levar a alta dos preços do que para baixa.
Entre os elementos inflacionários no radar do Copom, estão:
Já os fatores que podem trazer deflação ao país são:
Os dados do PIB (Produto Interno Bruto) estimados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) começam a mostrar que a economia brasileira está perdendo fôlego.
No segundo trimestre de 2026, o país registrou avanço de 0,5% ante os três meses anteriores, uma desaceleração ante a alta de 1,1% apurada entre janeiro e março. O destaque do indicador foi o consumo das famílias, que caiu 0,4% no período, um reflexo direto dos juros altos.
Outro sinal de desaceleração da economia vem do mercado de trabalho.
Apesar de registrar desemprego ainda próximo das mínimas históricas, segundo o IBGE, dados do Ministério do Trabalho mostram perda de força nas contrações formais, com julho representando o pior resultado para o mês desde a pandemia.
E o impacto chega diretamente ao bolso do consumidor: em julho, a inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional avançou para 4,9%, novo recorde da série histórica do BC.
O foco da política monetária é o controle da inflação. Não obstante, a inflação tem caído também nos últimos meses, com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mostrando deflação de 0,32% em agosto, após alta de 0,07% no mês anterior.