Com frete desvalorizado, caminhoneiros são a favor de greve em MS: ‘Paralisar tudo’

Midiamax/AB

Greve pode chegar a Mato Grosso do Sul em breve. (Foto: Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

A greve dos caminhoneiros iniciada no Porto de Santos, em São Paulo, nesta segunda-feira (13), agrada a categoria em Mato Grosso do Sul, que torce pela evolução do movimento. No estado paulista, os trabalhadores paralisaram os serviços visando pressionar pela votação da Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, no Senado Federal.

O movimento ocorre para que o texto seja pautado até quinta-feira (16) e não perca a validade. Caminhoneiros em Campo Grande entrevistados pelo Jornal Midiamax afirmaram que, devido às atuais condições da profissão, seria necessário aderir à greve. No entanto, não demonstraram grande confiança de que o movimento irá avançar.

Caminhoneiro há mais de 10 anos, Valdir Carvalho da Luz explica que a situação está defasada e que, muitas vezes, os valores oferecidos nos fretes, principalmente para trabalhadores autônomos, não compensam diante de tantos gastos. “O frete não tá legal, não. Pra muita gente, não tá nem compensando ter caminhão. Não tá fácil, não. Muitas vezes, dependendo do frete, você não ‘tira’ nem o [valor] do diesel”, afirma.

Além do preço do combustível, Valdir ressalta que os custos são altos com pedágios, que podem ultrapassar R$ 3 mil em um único transporte a São Paulo. “O certo é ter uma greve bem forte mesmo, paralisar tudo, pra ver se muda de uma vez isso aí. Tem muitos caminhões parando porque não compensa. Fica complicado rodar na estrada com pedágio caro, estrada ruim, não tem onde parar”, reclama o caminhoneiro.

Valdir Carvalho da Luz, caminhoneiro há mais de 10 anos. (Foto: Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

Sem organização, não funciona

Apesar da necessidade da greve, os caminhoneiros não veem o movimento com tanta força. Segundo Claudemir Paulino, caminhoneiro há 35 anos, a paralisação precisa de muita organização.

“Vai ser só pra lá [São Paulo] mesmo. Não vai virar nada, não. Isso aí tem que ser muito bem organizado. Se isso não for bem organizado, não funciona”, opina Claudemir. Ele relembra a greve dos caminhoneiros de 2018, deflagrada em todo o Brasil, como modelo ideal de paralisação.

“Tem que fazer umas coisas organizadas, bem programadas, igual teve aquela vez, aí ficou bem certo. Se não tiver organização, eles tentam parar a gente no meio da pista. Quem está querendo chegar em casa, isso é problema. Aí, se programar bem, fica na estrada quem quer”, completa.

Outro caminhoneiro de Campo Grande, que preferiu não se identificar, disse que não estava sabendo da greve e que acha que a paralisação não irá impactar a Capital de MS. Segundo ele, “o povo daqui é ‘bundão’” e tem baixa participação nos movimentos.

Greve em breve?

O presidente do Sindicam-MS (Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Mato Grosso do Sul), Osny Belinati, afirmou ao Jornal Midiamax, na última quinta-feira (9), que pode aderir à greve caso a MP do Frete não entre em pauta até esta quinta-feira (16).

Com isso, o movimento já em atividade em São Paulo pode se expandir para MS ainda nesta semana se o texto perder a validade. “Se caducar, vai caducar o transporte brasileiro e aí vai continuar a mesma bagunça que está hoje. Cada um paga o que quer e tudo recai em cima do caminhoneiro, do autônomo, do micro. Se tiver que aderir [à greve], nós vamos aderir”, afirmou Belinati.

Os presidentes do Sindicam-MS e do Sindicargas-MS (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Cargas de Mato Grosso do Sul) não responderam às tentativas de contato da reportagem nesta segunda-feira (13).

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