Casos de fraude no Detran-MS passam de 4 mil e polícia investiga organização criminosa

Midiamax/AB

Operação Miríade, da Polícia Civil, contra fraudes no Detran-MS. (Divulgação)

Alvo de diversas operações contra fraudes e corrupções, o Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) identificou que foram realizadas mais de 4 mil fraudes no período de cinco anos, entre 2020 e 2024.

Conforme informado ao Jornal Midiamax pelo corregedor-geral do órgão, delegado Odorico Ribeiro de Mendonça e Mesquita, houve uma força-tarefa para identificar os casos. Todos são de alterações irregulares de veículos feitas no sistema do órgão.

O trabalho identificou atuação de organização criminosa no órgão: “Todos os casos em que foram identificados crimes foram encaminhados para a Polícia Civil”, disse o delegado.

Então, o delegado afirmou que há atuação de diversas pessoas, sem detalhar quantos servidores estão envolvidos. “São vários procedimentos. A Cotra [Corregedoria] atua no administrativo em relação aos servidores”, e complementou que o trabalho é feito paralelamente com investigações da Polícia Civil sobre corrupção no Detran-MS.

A maioria das alterações seria em relação à inclusão do quarto eixo.

O esquema de propinas e fraude no sistema de cadastro do Detran-MS não é novo e foi denunciado antecipadamente em reportagem do Núcleo de Jornalismo Investigativo do Jornal Midiamax, em 2020. A Operação Gravame confirmou as denúncias e até chegou a alguns servidores, mas a suposta blindagem de políticos na atuação do MPMS manteve o grupo a salvo.

Algumas das operações deflagradas pela Polícia Civil contra corrupção no Detran-MS são Miríade, Resfriamento, Gravame e Quarto Eixo.

Inclusive, no ano passado, o despachante David Cloky Hoffaman Chita foi preso. Ele é réu em diversos processos por operar fraudes no Detran-MS. Ele aponta que o verdadeiro chefe do esquema seria o deputado Beto Pereira (Republicanos), que chegou a ser citado em inquérito policial sobre o caso.

Também foi identificada participação da ex-servidora comissionada da Cotra Yasmin Osório Cabral como a ponte que conectava a organização criminosa para fazer alterações no sistema.

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