
Homem morto no domingo dentro de uma casa no Jardim Noroeste (Foto: Paulo Francis)
Sequência de ocorrências entre o sábado e a manhã desta segunda-feira (27) terminou com sete mortos em diferentes cidades de Mato Grosso do Sul, todos em situações classificadas como confronto com forças de segurança.
O caso mais recente ocorreu na manhã de hoje, em Coxim. Fabrício Troch Soares, de 33 anos, conhecido como “Branco do CV (Comando Vermelho)”, morreu durante a operação Leviatã, voltada ao combate ao crime organizado.
Fabrício era alvo de mandado de busca e apreensão no bairro Senhor Divino. Durante o cumprimento da ordem judicial, ele estava armado e tentou atirar contra policiais do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros).
Houve reação, ele foi baleado, socorrido e encaminhado ao Hospital Regional Álvaro Fontoura Silva, mas não resistiu.
Apontado como integrante do CV (Comando Vermelho), tinha passagens por tentativa de homicídio, tráfico de drogas, ameaça e violência doméstica.
Mortos ligados ao PCC – Entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira, em Costa Rica, a 340 quilômetros da Capital, 3 homens apontados como integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) morreram após confronto com a Polícia Militar.
Segundo o boletim de ocorrência, o grupo foi surpreendido em uma funilaria no bairro Polo Industrial, onde planejava um ataque contra membros do CV para vingar o assassinato de Eldison Filho Souza Lima, de 24 anos, ocorrido no sábado (25).
Horas antes, por volta das 21h, os suspeitos haviam sido abordados em um veículo na saída para Chapadão do Sul. Nada ilícito foi encontrado, mas o carro foi apreendido por irregularidades.
Depois, uma denúncia indicou que os mesmos indivíduos estavam armados na funilaria, na Rua Alumínio. No local, houve cerco policial e ordem para rendição, mas os suspeitos reagiram.

Corpo de homem morto em Fátima do Sul, ao lado da casa onde briga teria começado (Foto: Washington Lima / Fátima Em Dia).
Clayton Nogueira Furtado, 38 anos, o “Evolução”, foi baleado na entrada do imóvel, portando arma calibre 22. Luiz Carlos Rosa Junior, 25 anos, o “Terrorista”, tentou fugir pelos fundos com um revólver calibre 38, mas foi atingido e morreu no local.
Victor Kennedy Neves Rodrigues, 25 anos, o “Vitinho”, avançou com um facão, foi baleado, fugiu e depois foi localizado. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.
No imóvel, foram apreendidos dois revólveres, um facão, 345,28 gramas de skunk e dois celulares. Câmeras de segurança também foram recolhidas.
Os policiais envolvidos, um sargento, dois cabos e um soldado, utilizavam fuzis calibre 5,56 mm e pistolas 9 mm. O caso foi registrado como homicídio decorrente de intervenção policial, tráfico de drogas e porte ilegal de arma.
Os três mortos tinham histórico criminal extenso. Clayton tinha mais de 20 passagens, Luiz Carlos mais de 75 ocorrências e Victor tinha registros por crimes como sequestro e cárcere privado.
Ainda na noite de domingo, em Fátima do Sul, Helisberto Santos Silva, de 37 anos, o “Beto”, morreu após ser baleado por um policial militar no bairro Jardim Flórida.
A ocorrência começou após um desentendimento por causa de um cachorro que latia. Segundo o registro, ele ameaçou moradores, danificou uma janela e deixou o local.
Pouco depois, retornou armado com um facão e acompanhado por outro homem. Um policial que mora nas proximidades foi até o endereço após ouvir pedidos de socorro.
Conforme o boletim, o militar se identificou e ordenou que o suspeito largasse a arma. Ele não obedeceu e avançou, sendo atingido por um disparo. Morreu antes da chegada do socorro.
A pistola calibre 9 mm foi apreendida. Testemunhas relataram comportamento agressivo do homem nos dias anteriores.
Na manhã de domingo, em Campo Grande, Carlos Carneiro Pinto, de 41 anos, morreu após confronto com a Polícia Militar no bairro Vila Rica, região do Jardim Noroeste.
Inicialmente, um jovem de 19 anos relatou que o ex-padrasto estava agressivo e quebrando objetos. Depois, em depoimento, afirmou que estavam bebendo desde a madrugada e que foram para a residência continuar consumindo álcool.
No local, Carlos passou a agir de forma paranoica, ameaçou os presentes, pegou uma faca de serra e depois um facão, além de danificar móveis.
Quando a polícia chegou, houve tentativa de negociação. A equipe utilizou duas vezes a arma de choque, sem sucesso. Armado, ele avançou contra os policiais e foi baleado.
Mesmo ferido, ainda caminhou alguns passos antes de cair. O Corpo de Bombeiros constatou a morte. A perícia identificou ferimentos em diferentes partes do corpo.
Carlos tinha passagens por crimes como violência doméstica, estupro e ato obsceno.

Edivaldo Gomes dos Santos, morto em Rio Verde de Mato Grosso quando foi preso por furto em 2017 (Foto: Divulgação).
Na noite de sábado, em Rio Verde de Mato Grosso, Edivaldo Gomes dos Santos, de 31 anos, conhecido como “Hungria” morreu após troca de tiros com policiais do Batalhão de Choque durante operação conjunta com a Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado).
Segundo o boletim de ocorrência, ele era procurado pela Justiça e tinha mandado de prisão em aberto. Conhecido como “Hungria”, foi localizado após diligências iniciadas no dia anterior.
Ao perceber a presença policial, fugiu, abandonou uma motocicleta e entrou em uma área de rio, conseguindo escapar naquele momento.
Mais tarde, os policiais receberam informação de que ele estava escondido em uma residência no bairro Jardim Semiramis. Durante monitoramento, foi visto em frente ao imóvel e correu para dentro ao notar a aproximação da viatura.
No interior da casa, conforme o registro, Edivaldo teria atirado contra os policiais. Houve revide, ele foi baleado, socorrido com vida ao hospital municipal, mas morreu após dar entrada.
No local, foi apreendido um revólver com cinco munições intactas e uma deflagrada, com numeração raspada. Também foi recolhida a carabina calibre 5,56 utilizada pelos policiais.
Uma mulher de 24 anos foi levada à delegacia por suspeita de favorecimento pessoal, por abrigar o foragido. Após assinar termo de compromisso, foi liberada.
Sequência de ocorrências – Os casos foram registrados em menos de 48 horas, em cidades diferentes e com dinâmicas distintas, mas todos classificados como intervenção policial. Em todo o Estado, até agora, conforme reportagens do Campo Grande News, já são 34 mortes por intervenção legal de agente do Estado.