
Município vive uma epidemia de chikungunya. (Foto: João Vitor Moura, MS)
Dourados confirmou mais uma morte por chikungunya nesta quinta-feira (16) e elevou para 12 o número de óbitos em Mato Grosso do Sul. Com isso, o Estado concentra 63% das 19 mortes registradas em todo o Brasil e soma mais de 5,6 mil casos prováveis em 2026.
O óbito mais recente ocorreu em 13 de abril, mas só foi confirmado nesta quinta. A vítima era um homem de 63 anos. Ele apresentou os primeiros sintomas em 7 de abril e possuía comorbidades, como câncer e diabetes.
Esta é a primeira morte registrada na zona urbana do município. Até então, as sete mortes anteriores haviam ocorrido em áreas indígenas de Dourados.
As outras quatro vítimas de Mato Grosso do Sul eram moradoras de Jardim (duas), Bonito (uma) e Fátima do Sul (uma). Outros três óbitos seguem em investigação pela SES-MS (Secretaria de Estado de Saúde), sendo um deles em Dourados — epicentro da epidemia.

Com o novo registro, Dourados concentra mais da metade das mortes no Estado. Do total de vítimas, sete eram indígenas, sendo dois bebês (1 e três meses) e cinco adultos, a maioria idosos (69, 73, 77, 60, 55 e 63 anos).
Na terça-feira (14), a cidade confirmou a sétima morte e a 11ª no Estado. A vítima era um homem indígena, de 77 anos, que apresentou os primeiros sintomas em 10 de fevereiro e morreu no dia 14 de março. Assim como o novo caso, ele tinha diagnóstico de câncer.
Entre os casos confirmados, são 1.747 no município, 1.461 entre pessoas indígenas. Desde o início do ano, a cidade contabiliza 4.830 casos prováveis. Desses, 3.083 seguem em investigação e 841 foram descartados, totalizando 5.671 notificações.
Além disso, um óbito ainda está em investigação, o de uma criança de 12 anos, que apresentou os primeiros sintomas em 28 de fevereiro.
No boletim anterior, havia três mortes em investigação. No entanto, a Prefeitura de Dourados descartou o óbito de uma menina de 10 anos, ocorrido em 7 de abril. Conforme o documento, ainda não há informação sobre a causa da morte.
Dourados abriga a maior reserva indígena urbana do Brasil, com mais de 20 mil habitantes. Nas aldeias Jaguapiru e Bororó, há 1.461 casos confirmados de chikungunya, o que representa cerca de 84% do total registrado no município.
Além das confirmações, os territórios indígenas somam 1.993 casos prováveis, 532 ainda em investigação e 454 atendimentos hospitalares. Entre os indígenas, também estão todas as sete mortes já confirmadas pela doença, além de duas das três que seguem em investigação.
Em todo o município, há 46 pacientes hospitalizados com suspeita ou confirmação da doença. Já a taxa de positividade caiu para 67,5%, o que indica que a maioria das pessoas com sintomas testadas tem diagnóstico confirmado para chikungunya.

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.
Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.
Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.
Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).