
Trump faz discurso a nação sobre a guerra contra o Irã — Foto: Alex Brandon/Pool via Reuters
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na noite desta quarta-feira (1°) que o trabalho no Irã vai terminar “muito rápido”, projetando mais duas ou três semanas de conflito.
Em discurso à nação realizado na Casa Branca, Trump afirmou que a Marinha e a Força aérea do país “acabaram”.
“Esta noite, tenho o prazer de dizer que esses objetivos estratégicos fundamentais estão quase concluídos”, disse o presidente americano.
“Conseguimos tudo. A Marinha deles foi destruída. A Força Aérea deles foi destruída. Seus mísseis estão praticamente esgotados ou destruídos. Juntas, essas ações irão enfraquecer as forças armadas do Irã, esmagar sua capacidade de apoiar grupos terroristas e impedi-los de construir uma bomba nuclear. Nossas forças armadas têm sido extraordinárias”
Trump descreveu a guerra contra o Irã como apenas o passo mais recente em seu esforço de anos para impedir que o país obtenha uma arma nuclear, chamando o conflito de “necessário para a segurança dos Estados Unidos e a segurança do mundo livre”.
O presidente americano afirmou que a guerra é uma resposta a 47 anos de violência do Irã e seus aliados, mencionando o bombardeio de um quartel dos fuzileiros navais há quase 40 anos e o bombardeio do USS Cole em 2000.
“Para esses terroristas, ter armas nucleares seria uma ameaça intolerável”, disse ele.
“O regime mais violento e truculento da Terra estaria livre para realizar suas campanhas de terror, coerção, conquista e assassinato em massa por trás de um escudo nuclear”, acrescentou.
Trump também aproveitou os momentos iniciais do discurso para criticar seus antecessores, alegando que os presidentes americanos que o antecederam deveriam ter “lidado” com o regime iraniano antes de ele assumir o cargo.
“Não precisamos estar lá. Não precisamos do petróleo deles. Não precisamos de nada do que eles têm, mas estamos lá para ajudar nossos aliados”, disse Trump.
Trump afirmou que os aliados dos EUA serão responsáveis por reabrir o Estreito de Ormuz, instando-os a “criar a coragem que ainda não demonstraram” e liderar uma operação para retomar o controle da importante via navegável.
“Vão até o estreito e simplesmente tomem posse dele, protejam-no, usem-no para vocês mesmos”, disse ele durante um pronunciamento em horário nobre. “A parte difícil já foi feita, então deve ser fácil.”
As declarações de Trump são o mais recente sinal de que ele planeja encerrar a guerra no Irã sem retomar o controle do estreito, que o regime iraniano efetivamente fechou há semanas, desencadeando uma crise energética global que elevou drasticamente os preços do petróleo e do gás.
Apesar do aumento dos custos de energia, Trump minimizou o impacto do fechamento do estreito nos EUA, alegando que o país não “precisa” utilizá-lo.
Ao mesmo tempo, ele insistiu que a rota marítima “simplesmente se abriria naturalmente” após a guerra — apesar das repetidas promessas do Irã de manter o fechamento total da hidrovia responsável pelo tráfego de aproximadamente 20% do petróleo mundial.
Embora Trump tenha dito que retomar o estreito será “fácil”, até mesmo as forças armadas americanas se mostraram relutantes em tentar escoltar petroleiros pela hidrovia devido à ameaça iraniana.
“Os países do mundo que recebem petróleo pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem”, disse Trump. “Eles devem valorizá-la.”
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.
(Com informações de Adam Cancryn, da CNN)