
Professora de educação infantil, convocada da Emei Clebe Brazil Ferreira, no bairro Itamaracá, em Campo Grande, denunciou à Secretaria Municipal de Educação (Semed) uma série de episódios que classificou como assédio moral, perseguição institucional, humilhação profissional e cerceamento do direito de defesa, vividos ao longo de 2025 na unidade escolar.
Segundo a professora, que atuava com a turma do Grupo 3A, composta por 25 alunos, desde o início do ano passou a sofrer questionamentos constantes sobre sua prática pedagógica e características pessoais, sem receber orientações claras ou respaldo institucional.
Ela relata que situações envolvendo o comportamento de alunos, comunicação com pais e registros pedagógicos passaram a ser usadas contra ela por meio de atas de orientação, que, segundo a professora, tinham caráter intimidatório. Ela ainda afirma que foi orientada a não relatar comportamentos relevantes às famílias, inclusive episódios de agressão entre crianças, o que a deixou insegura sobre como agir profissionalmente. “Eu era responsabilizada se falasse e também se não falasse. Era sempre a professora a culpada”, relata.
A professora afirma que foi submetida a constrangimentos públicos, inclusive diante de colegas. Além disso, segundo ela, chegou a ouvir da superiora que “não era mais desejada na escola”. A professora continua que houve episódios de gritos, acusações infundadas e ameaças veladas, incluindo a afirmação de que atas poderiam ser usadas para prejudicar sua carreira caso insistisse em permanecer ou denunciar a situação.
Ela também denuncia que teve sua autonomia profissional bloqueada, ficando impedida de conversar com pais ou enviar recados sem autorização da coordenação e da direção, sob o argumento de preservar a imagem da gestão junto às famílias.
Outro ponto sensível relatado é a exposição na comunidade escolar, após conflitos com familiares de alunos. Segundo ela, pessoas chegaram a procurar sua residência para comentar situações ocorridas na escola, o que gerou medo pela própria segurança e de seus filhos.
Versão da Secretaria Municipal de Educação
Em resposta oficial, a SEMED informou que não reconhece a existência de assédio moral no caso. Segundo a pasta, a gestão da EMEI Clebe Brazil Ferreira atua com base no respeito, na ética e em orientações pedagógicas, sem práticas de humilhação ou abuso.
A SEMED afirma que manteve diálogo constante, acompanhamento e orientações à professora ao longo do ano, em razão de dificuldades observadas na organização da turma, condução da rotina, planejamento e manejo comportamental dos alunos. As orientações, segundo a Secretaria, teriam sido verbais, respeitosas e não punitivas.
A pasta esclarece que as atas de orientação foram registradas após reclamações de familiares e tiveram caráter pedagógico, com leitura integral à professora e possibilidade de manifestação. A SEMED nega qualquer tipo de coação, ameaça ou impedimento de defesa e afirma que a assinatura das atas ocorreu de forma voluntária.
Também informa que realizou seis dias de observação em sala, onde teriam sido identificadas dificuldades na condução da turma durante o período da professora, situação que não se repetiria com as assistentes ou com a docente do outro turno. Por fim, a Secretaria afirmou que permanece aberta ao diálogo e que todas as intervenções buscaram o aperfeiçoamento pedagógico e a melhoria do ambiente escolar.
Caso pode ir ao Ministério Público
Mesmo após a resposta oficial, a professora afirma que seguirá buscando responsabilização. “Eles não estavam lá quando gritaram comigo, quando fui humilhada e impedida de me defender. Eu estou em tratamento até hoje. Não vou deixar isso assim”, conclui.
A mulher afirmou que o acompanhamento que a SEMED disse que foi feito, não existiu. E que a superiora deu apenas uma ‘passada’ e afirmou que ela não conseguiu colocar o planejamento em prática.
Professora relata adoecimento emocional
Como consequência do ambiente vivido, a professora afirma que desenvolveu crises de ansiedade e pânico, passando a apresentar sintomas físicos. Desde outubro de 2025, ela está em tratamento psicológico, psiquiátrico e médico, fazendo uso de medicação.
“É uma humilhação sem fim. O professor convocado vive na corda bamba, com medo de falar, de se defender, porque sabe que pode perder o emprego”, desabafa. No relato, ela afirma que sua situação não é isolada e que muitos professores passam por experiências semelhantes, mas permanecem em silêncio por medo de represálias.
TMN








