Etanol farmacêutico: como atua o antídoto que pretende combater o metanol?

Autoridades estão em alerta sobre uso de metanol nas bebidas alcóolicas – Foto: Arquivo

Alexandre Padilha, ministro da Saúde, anunciou nas suas redes sociais que o Ministério comprará 150 mil ampolas de etanol farmacêutico, além da possibilidade de adquirir Fomepizol, para combater as intoxicações por metanol. A ação tem caráter emergencial após o crescimento alarmante de intoxicação por metanol devido ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.

O etanol farmacêutico é um álcool usado como antídoto funcional em casos de envenenamento e intoxicação por metanol e etilenoglicol. Luciane França Ramos, médica gastroenterologista do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (HU/UFMS), explica como o etanol e o Fomepizol podem auxiliar no tratamento.

“O metanol quando ingerido ou inalado, entra na corrente sanguinea e chega até o fígado. No fígado existe uma enzima chamada ADH (alcooldesidrogenase) que vai transformar o metanol em formaldeido e acido formico, duas substancias extremamente nocivas para o organismo. Tanto o álcool farmacêutico quanto o fomepizol agem competindo por essa enzima e impedindo essa transformação do metanol nos seus subprodutos que são tóxicos. Dessa forma, o metanol tem maior chance de ser eliminado do organismo pelos rins ou através de um processo de filtragem do sangue chamada hemodiálise, caso os rins ja estejam afetados”.

A médica diz que não é possível prever a estimativa de tempo para eliminar as substâncias nocivas do organismo, dependendo da quantidade ingerida e do tempo.

“Depende do tempo da ingestao do metanol, se ele ja afetou tecidos e sistemas vitais. Quanto mais precoce a adminitração do antídoto, maior chance de resultados melhores. Quanto mais tempo entre a ingestão e o antídoto, piores são as chances de recuperação.   Presença de acidose no sangue, alterações visuais e do sistema nervoso central apontam para um prognóstico pior de resposta”.

As consequências da intoxicação por metanol são graves, como a cegueira, coma, insuficiência renal e falência do sistema circulatório, que podem levar à óbito. E, mesmo quando o paciente é atendido de forma rápida e adequada, sequelas podem ser permanentes, como déficits de memória e concentração, alterações motoras, déficits de função renal e hepática.

Ações estratégicas
Em parceria com a  Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o ministério  estruturou um estoque estratégico em hospitais universitários federais e serviços do SUS com 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico.

Além disso, está em andamento a compra emergencial de mais 5 mil tratamentos (150 mil ampolas), garantindo a reposição e distribuição do produto conforme a necessidade de estados e municípios.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez uma chamada pública para identificar “fornecedores internacionais do fomepizol, medicamento específico para intoxicação por metanol, atualmente não disponível no Brasil”.

Esta ação vai mobilizar as dez maiores agências reguladoras do mundo para que indiquem, em seus países, quais são os produtores do fomepizol.

O governo oficializou também um pedido à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para a doação imediata de 100 tratamentos de fomepizol.

O Ministério da Saúde manifestou a intenção de adquirir outras 1 mil unidades do medicamento por meio da linha de crédito do Fundo Estratégico da Opas, o que poderá ampliar ainda mais o estoque nacional.

CE/ML

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