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Um estudo conduzido pela Universidade de Rhode Island e publicado na revista Environmental Research sugere que o acúmulo de microplásticos no cérebro pode afetar funções cognitivas, especialmente em indivíduos com predisposição genética para doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
No estudo, os pesquisadores expuseram camundongos portadores do gene APOE4, considerado o maior fator de risco genético para Alzheimer e presente em cerca de 25% da população, a microplásticos de poliestireno por três semanas. O resultado apontou alterações de memória, comportamento e inflamação cerebral, semelhantes às observadas em humanos com Alzheimer.
Estudos anteriores já haviam identificado que um cérebro humano médio pode conter até sete gramas de microplásticos. Embora ainda não seja possível afirmar com certeza o papel dessas partículas no avanço da doença, a pesquisa reforça a preocupação de que fatores ambientais podem acelerar processos neurodegenerativos em pessoas predispostas geneticamente.
“Já sabemos que a genética não explica sozinha todos os casos de Alzheimer. A interação com fatores ambientais, como poluição e hábitos de vida, pode ser determinante no risco de desenvolver a doença. Esse estudo mostra que os microplásticos podem ser mais um elemento relevante nesse quebra-cabeça”, avalia Mateus Trindade, neurologista do Sírio-Libanês.
Ainda segundo o especialista, pesquisas sobre prevenção ganham cada vez mais relevância diante do envelhecimento populacional. “O Alzheimer é uma das principais causas de incapacidade em idosos. Se comprovada a relação entre exposição a microplásticos e maior risco da doença, teremos um novo campo de atuação para estratégias de prevenção e políticas de saúde pública”, completa Mateus.
Confira pequenas mudanças de hábito que ajudam a diminuir o contato com partículas invisíveis de plástico:
“Os microplásticos já estão presentes no ar, na água e nos alimentos, mas podemos reduzir parte dessa exposição com escolhas simples. Essas medidas não eliminam o risco, mas podem ajudar a proteger a saúde a longo prazo”, conclui Mateus.
NM/ML