Consumo excessivo de cocaína faz PF fechar o cerco contra narcotraficantes

PF flagrou caminhão transportando 300 kg de cocaína ontem – Divulgação

Em meio à crise global, ao aumento do custo de vida e à situação de conflitos e guerras, o mercado que vem crescendo com números superlativos é o do tráfico de cocaína. Essa comercialização ilegal gera um impacto direto em Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com a Bolívia e o Paraguai, países que estão no centro da produção da coca e na distribuição da droga, respectivamente.

Essa escalada de uso da cocaína é apontada pelas autoridades que atuam no Estado como um dos principais motivos do aumento considerável de apreensões, bem como na realização de operações, principalmente da Polícia Federal.

Ontem, a PF conseguiu localizar mais de 300 kg da droga escondidos em um caminhão. Os criminosos criaram um compartimento especial. A apreensão ocorreu em Brasilândia, distante da fronteira com a Bolívia, o que indica que os traficantes estão agindo em diferentes partes do Estado.

Além dessa apreensão, uma sequência de outras operações vem ocorrendo desde o começo do ano. Uma delas foi feita em Ponta Porã, na tentativa de prender o criminoso conhecido como Dom, também Motinha. Antônio Joaquim Mota conseguiu escapar da PF de helicóptero um dia antes da operação.

No caso de Dom, os policiais conseguiram mandado de prisão porque as investigações identificaram que o traficante havia contratado um grupo de mercenários para atuar como segurança dele.

Ele é investigado em um dos vários esquemas de volumes imensos de droga que vêm sendo vendidos no Brasil ou passando por aqui para seguir para o exterior.

Nunca se apreendeu tanta cocaína no Estado como nos primeiros sete meses de 2023. O volume, considerando dados entre 2015 e este ano, na comparação com o primeiro semestre desses anos, mais que dobrou. Já foram apreendidos mais de 12,4 mil kg da droga, em mais de 1,2 mil apreensões.

VALOR

Como o consumo está em tendência de alta e o tráfico vem acompanhando essa demanda, outra movimentação que segue essa linha é o valor desse entorpecente.

Esse mercado envolve cifras gigantescas. O fato de muito dinheiro estar relacionado a esse crime representa desafios para as autoridades em termos de interceptar as organizações criminosas envolvidas no tráfico transnacional.

Dados do Centro de Excelência para a Redução da Oferta de Drogas Ilícitas (CdE) apontam que o preço da cocaína no mercado ilegal no Brasil está em cerca de R$ 72,8 mil (US$ 13,7 mil). No caso do cloridrato, o valor ultrapassa R$ 119 mil por kg (US$ 22,5 mil).

A pasta base tem alto valor no mercado também, estimado em R$ 82,9 mil (US$ 15,6 mil). Outras drogas, como crack, ecstasy, haxixe, maconha e skunk tem preços muito abaixo. O haxixe é o que mais se aproxima, média de R$ 44,9 mil (US$ 8,4 mil).

O CdE, que contribui com estudos para identificar caminhos para formulação de políticas públicas contra o tráfico, apontou que dados de 2018 mostravam que o valor da cocaína estava bem abaixo dos preços que criminosos cobram atualmente. Na Bolívia, cinco anos atrás, o quilo da droga ficava em cerca de US$ 2,8 mil. Ao chegar aos EUA, essa cocaína sofria inflação e alcançava o preço de US$ 45 mil, ou na Europa, até US$ 68 mil (Alemanha).

“O tráfico de drogas ilícitas e os crimes transnacionais conexos ocasionam enormes prejuízos econômicos e sociais a diversos países, e o Brasil não é exceção. Atualmente, nota-se que organizações criminosas usam a infraestrutura do País para manter a operação logística da cocaína vinda de alguns países da América Andina [Colômbia, Peru e Bolívia], que é transportada para diversos mercados do mundo, e para importar maconha vinda do Paraguai com destino ao consumo no Brasil”, detalhou o CdE em nota oficial.

As identificações do órgão brasileiro seguem os indícios encontrados pelas autoridades de forças de segurança em Mato Grosso do Sul, bem como do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes.
Desde 2020 vem ocorrendo um crescimento no cultivo de coca. Entre 2020 e 2021, o aumento identificado foi de 35%. Além do consumo nos países para onde a droga é enviada, como Europa e Estados Unidos, os traficantes estão aumentando os mercados para outras nações. Países da África e da Ásia fazem parte dessa ampliação de território do crime, indicou o relatório Global Report on Cocaine neste ano.

Para os traficantes conseguirem atender a essa demanda mundial, o relatório da ONU indicou que o uso de aeronaves para fazer o transporte passou a ser mais comum. As aeronaves do tráfico geram um outro mercado ilegal, o de roubo e furto no Brasil, com envio desses equipamentos para a Bolívia para serem adulterados e, depois, revendidos até para Peru e Colômbia.

Essa condição vem sendo combatida em Mato Grosso do Sul. Tanto a Polícia Federal como a Delegacia de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), da Polícia Civil, investigam organizações que utilizam aviões e pistas clandestinas no Pantanal para trazer cocaína da Bolívia. No país vizinho também há apurações desse mesmo tipo.

R$ 72,8 mil

Esse é o preço do quilo da cocaína, segundo o Centro de Excelência para a Redução da Oferta de Drogas Ilícitas.

Fonte: Correio do Estado

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