Conhecido como Rato Borrachudo, o youtuber Douglas Mesquita Silva derrubou no chão um PlayStation 5 e registrou o momento em vídeo. “Criança mimada”, “kkkkkkk”, “patético”, “quebrou o apoiador de porta” foram algumas das reações, que por sua vez despertaram outras réplicas e tréplicas.
O episódio é uma pequena amostra do debate perpétuo entre caixistas e sonystas, como são chamados os fãs de Xbox e PlayStation. São ecos da disputa bilionária travada por Microsoft e Sony, que recentemente trocaram farpas jurídicas no Brasil, o que alimentou ainda mais as brigas. Depois de política, religião e futebol, é hora de acrescentar videogame entre os tópicos capazes de amargar um jantar entre amigos.
É a “guerra de consoles”, ou “flame war”, uma batalha simbólica e retórica, catalisadora de tensões morais e ideológicas parecida com torcidas de futebol. A disputa é sobre qual é a melhor plataforma de games. Vale venda, resenha, preço, catálogo, audiência, qualquer coisa.
A tônica dos argumentos, em geral, é de humor e memes. Não é incomum, no entanto, ataques pessoais entre os participantes. Um dos principais combustíveis são os rumores, que recebem espaço generoso na mídia profissional especializada.
Esse processo é conhecido na psicologia como dissonância cognitiva. É como se o fato de um dado ser verídico ou não fosse secundário, já que a prioridade é reforçar uma tese ou crença a qualquer custo. Não é muito diferente do mecanismo das fake news, na avaliação da psicóloga Livia Scienza, que pesquisa jogos digitais na Universidade de São Carlos.
Facebook, Telegram e WhatsApp são os quartéis, com grupos de aliados trocando conteúdo. O campo de batalha é o Twitter, rede social em que o Brasil ocupa a quinta posição entre os países que mais discutem videogames.
Há algumas semanas, o perfil oficial do Guaraná Antarctica, cheio de graça, experimentou tomar um lado. “ACEITA XBOX é mlhr que PlayStation”, os publicitários por trás da marca publicaram, assim mesmo, com erros de ortografia.