
O plantio da soja para a safra 2026/2027 alcançou 52,2% da área monitorada na região Norte de Mato Grosso do Sul. Apesar do avanço das operações com a melhora das condições climáticas, o excesso de chuva nas últimas semanas provocou prejuízos aos produtores e obrigou o replantio de áreas em diferentes municípios do Estado.
Os dados são do boletim semanal Casa Rural, elaborado pela Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) em parceria com o Sistema Famasul, com informações coletadas até 30 de outubro.
Em todo o Estado, a semeadura já atingiu 68,6% da área acompanhada, o equivalente a aproximadamente 3,34 milhões de hectares. A região Sul apresenta o maior avanço, com 76,2%, seguida pelo Centro, com 60,3%, e pelo Norte, com 52,2%.
Na região Norte, o ritmo do plantio foi favorecido pela melhora do tempo, que permitiu a retomada das máquinas nas propriedades após períodos de interrupção provocados pelo excesso de umidade no solo.
Chuvas provocaram prejuízos às lavouras
Mesmo com a retomada das atividades, as chuvas registradas nas últimas semanas causaram problemas em áreas produtoras. Em Mato Grosso do Sul, 22.718 hectares precisaram passar por replantio.
A região Centro concentra a maior extensão de áreas afetadas, com 13.213 hectares. Já na região Norte foram registrados 9.435 hectares que precisaram receber uma nova semeadura.
Entre os problemas identificados pelos técnicos estão encharcamento, selamento e erosão laminar do solo, além de rompimentos de curvas de nível e enxurradas, principalmente em áreas com solos arenosos e mistos.
Produção estadual deve ser menor
A estimativa para a safra 2026/2027 aponta o cultivo de aproximadamente 4,87 milhões de hectares de soja em Mato Grosso do Sul, crescimento de 5,5% em relação ao ciclo anterior.
Apesar da expansão da área, a produtividade média projetada é de 52,4 sacas por hectare, redução de 13,2%. Com isso, a produção estadual deve alcançar aproximadamente 15,33 milhões de toneladas, volume 8,4% inferior ao estimado para a safra passada.
El Niño mantém produtores em alerta
O cenário climático também preocupa o setor produtivo. Segundo o boletim, a safra começou sob influência do fenômeno El Niño, que pode favorecer instabilidades meteorológicas em Mato Grosso do Sul.
Para o trimestre de novembro, dezembro e janeiro, o prognóstico apresentado no levantamento indica 96% de probabilidade de ocorrência de El Niño em intensidade muito forte e 4% de intensidade forte.
Entre os possíveis efeitos estão temperaturas acima da média histórica, ondas de calor mais frequentes e tempestades potencialmente mais intensas, com possibilidade de ventos fortes e granizo.
A previsão também aponta volumes de chuva acima da média climatológica entre novembro e janeiro, com acumulados de referência entre 500 e 700 milímetros, dependendo da região.
Diante das condições previstas, a recomendação é que os produtores acompanhem as atualizações meteorológicas e avaliem os impactos do clima no planejamento das atividades e no desenvolvimento das lavouras.
(*) Com informações da Aprosoja/MS
