
Foto: Darlei Pereira / Correio do Estado
Uma queimada próxima à BR-163, na altura da saída para três lagoas, pouco antes do pontilhão, dificultou a visibilidade dos motoristas que transitavam pelo local na tarde desta sexta-feira (26).
Imagens enviadas por Darlei Pereira, leitor do Correio do Estado, mostram a dimensão do incêndio e a fumaça invadindo a pista. Confira:
Conforme noticiado anteriormente, houve um aumento de 200% nos focos de queimadas em Campo Grande, de janeiro a 22 de maio deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 2022, foram quatro focos na Capital, enquanto em 2023 já foram 12 focos, o triplo do registrado anteriormente. Durante todo o ano passado, foram 28 focos de incêndio.
O meteorologista Vinicius Sperling, do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), comenta que o Estado ainda não está no período mais seco do ano, o qual, historicamente, ocorre nos meses de junho, julho e agosto, sendo o mês de julho o mais seco.
“A chuva excessiva deste ano aumentou muito a biomassa e isso pode ser um fator de risco com a chegada do período mais seco”, alerta Sperling.
Além disso, o meteorologista também aponta que os meses que têm índices muito baixos de umidade relativa do ar e elevadas amplitudes térmicas, são a “combinação perfeita” para o ambiente atmosférico propício para a ocorrência de incêndios florestais.
Sendo assim, os focos de incêndio, que já apresentaram aumento, devem ocorrer com ainda mais frequência.
O coordenador da Estação de Monitoramento da Qualidade do Ar (EMQAR), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Widinei Alves Fernandes, alerta que o aumento dos focos está diretamente ligado à piora da qualidade do ar e, consequentemente, causa prejuízos à saúde das pessoas.
“As queimadas lançam na atmosfera vários poluentes, principalmente partículas muito finas, que podem ser inaladas, também monóxido de carbono, óxido de nitrogênio, então todos esses são poluentes que, quando inalados, podem agravar problemas de saúde ou iniciar outros problemas”, comenta o coordenador da EMQAR.
Os efeitos das queimadas podem ser sentidos a grandes distâncias. Ou seja, uma queimada que ocorre em Mato Grosso, no pantanal sul-mato-grossense ou até mesmo na Amazônia pode diminuir a qualidade do ar de outros locais, fenômeno que já foi visto em Campo Grande e outras cidades brasileiras.
Vale reforçar que a Lei de Crimes Ambientais, nº 9.605, de 1998, prevê como crime o ato de causar poluição, de qualquer forma, que coloque em risco a saúde humana, a segurança dos animais ou destrua a flora, mesmo que em local privado.
Caso veja um foco de incêndio, entre em contato com o Corpo de Bombeiros, discando 193.
Fonte: Correio do Estado