
Oscar César Garcia Benites, que fugiu de Dourados e foi preso em Pedro Juan Caballero (Foto: Reprodução).
O paraguaio Oscar César Garcia Benites, de 28 anos, preso na fronteira por assaltar uma distribuidora de produtos farmacêuticos, era procurado pela Justiça de Mato Grosso do Sul acusado de integrar um bando especializado em roubar caminhonetes Toyota Hilux.
Em fevereiro deste ano, ele e um comparsa foram presos pela Polícia Civil após tentarem furtar uma Hilux 2022 no Jardim São Pedro, em Dourados, a 251 quilômetros de Campo Grande. Colocado em liberdade na audiência de custódia, Oscar rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. Por isso, teve a prisão preventiva decretada pela 1ª Vara Criminal, no dia 19 de março.
A nova prisão ocorreu após um assalto registrado na manhã de segunda-feira (5), no Bairro Perpétuo Socorro, em Pedro Juan Caballero, cidade vizinha de Ponta Porã.
Vídeos gravados por câmeras de monitoramento e por moradores mostram os dois assaltantes chegando ao estabelecimento, depois rendendo funcionários e, por último, um deles detido no meio da rua, momento em que recebe um chute na cabeça, desferido pelo proprietário da distribuidora.
Segundo informações divulgadas pela imprensa da linha internacional, Oscar e Edison Ramón Benítez, de 39 anos, foram detidos pela polícia paraguaia e denunciados pelo Ministério Público daquele país por roubo agravado. O promotor Andrés Cantaluppi também solicitou a prisão preventiva dos dois investigados.
Conforme a investigação da Polícia Nacional, os suspeitos entraram no estabelecimento portando armas de fogo, com a intenção de levar dinheiro e outros objetos de valor. A proprietária percebeu a movimentação e avisou o marido, que acompanhou as imagens das câmeras de segurança e comunicou o caso a um policial que estava na região.
Os dois homens foram presos e com eles a polícia apreendeu um revólver, uma pistola, duas motocicletas, celulares e dinheiro levado do estabelecimento. O caso passou a ser investigado pelo Ministério Público paraguaio, que pediu a manutenção da prisão da dupla.
Tentativa de furto em Dourados
O nome de Oscar já constava em uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul sobre um grupo especializado em furtos de caminhonetes na região de Dourados, com destino à fronteira com o Paraguai.
Segundo denúncia apresentada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) em 26 de fevereiro de 2026, Oscar e Robert Chamorro Cristaldo tentaram furtar uma Toyota Hilux branca na noite de 7 de fevereiro, por volta das 19h40, na Rua Palmeiras, região sul de Dourados.
A dupla teria utilizado equipamentos para abrir e ligar a caminhonete sem a chave original. Segundo a polícia, caminhonetes Hilux fabricadas entre 2016 e 2022 possuem uma falha no sistema de chave inteligente que facilita a atuação dos ladrões.
O furto foi interrompido quando o proprietário surpreendeu os suspeitos dentro do veículo. Eles correram e deixaram para trás um telefone celular, posteriormente identificado como pertencente a Robert.
A vítima apresentou imagens de câmeras de segurança à polícia, que conseguiu identificar os envolvidos. Os investigadores localizaram Oscar e Robert na residência de Augusto Oviedo Acosta, no Jardim Água Boa, também na região sul de Dourados.
No imóvel, os policiais encontraram uma chave de fenda e dois equipamentos do tipo Rasther, utilizados para acessar sistemas eletrônicos de veículos. Os três homens foram levados à delegacia, onde foram investigados por participação em um esquema de furtos de caminhonetes.
A denúncia apresentada pelo promotor João Linhares atribuiu a Oscar e Robert os crimes de tentativa de furto qualificado, pelo uso de chave falsa e participação de mais de uma pessoa, além de associação criminosa. Augusto foi denunciado por associação criminosa.
Solto com tornozeleira
Apesar da prisão em flagrante, Oscar conseguiu liberdade provisória na audiência de custódia, em 9 de fevereiro. A Justiça considerou que ele não tinha registros criminais anteriores no sistema policial e que medidas menos rigorosas seriam suficientes para evitar novos delitos.
A decisão estabeleceu uma série de condições, entre elas a proibição de contato com os outros investigados e com a vítima, o comparecimento aos atos do processo, a atualização do endereço e o uso de tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 90 dias.
Conforme documentos do processo, Oscar rompeu a tornozeleira eletrônica e deixou de cumprir as condições impostas pela Justiça. Diante da situação, o Ministério Público pediu sua prisão preventiva, que foi decretada em março.
Em junho, a Justiça voltou a analisar o caso e manteve a ordem de prisão. A decisão destacou que o rompimento da tornozeleira demonstrava que as medidas anteriores não haviam sido suficientes para garantir o acompanhamento do acusado.
Em setembro, uma nova revisão judicial confirmou a necessidade da prisão preventiva. O magistrado considerou que continuavam presentes os motivos que justificaram a ordem de prisão, especialmente o descumprimento das condições impostas anteriormente. Com a prisão em flagrante no Paraguai, Oscar deve permanecer detido em seu país de origem.
R$ 20 mil por caminhonete
A investigação conduzida pela SIG (Seção de Investigações Gerais) em Dourados também revelou detalhes sobre o funcionamento do grupo suspeito de furtar caminhonetes para levá-las à região de fronteira.
Em depoimento à Polícia Civil, Robert Chamorro Cristaldo afirmou que participava de furtos há sete meses e admitiu envolvimento em outros seis casos registrados em Dourados.
Segundo ele, a Hilux que tentou furtar em fevereiro havia sido encomendada por uma pessoa não identificada, que pagaria R$ 20 mil pela entrega do veículo em Pedro Juan Caballero.
Desse valor, R$ 3 mil seriam destinados a Oscar, responsável pelo transporte da caminhonete. O restante seria dividido entre Robert e outro integrante, conhecido como “Lembu”, apontado como financiador e fornecedor dos equipamentos utilizados nos furtos.
Oscar, por sua vez, negou participação consciente no esquema criminoso. Em depoimento, confirmou que havia recebido uma proposta de R$ 3 mil para levar a caminhonete até Ponta Porã, mas afirmou que desconhecia a origem criminosa do veículo. Segundo sua versão, começou a desconfiar da situação quando viu Robert manuseando os equipamentos usados na tentativa de furto.
A investigação apontou que o grupo tinha divisão de tarefas. Enquanto Robert seria responsável pela retirada dos veículos, Oscar faria o transporte até a fronteira e Augusto Oviedo Acosta ofereceria apoio e hospedagem em Dourados.