
Local onde o corpo do padre foi encontrado. (Foto: Osvaldo Duarte/Dourados News/Arquivo)
Leanderson de Oliveira Júnior, de 18 anos, e João Victor Martins Vieira foram condenados na última sexta-feira (24) pelo latrocínio do padre Alexsandro da Silva Lima, de 44 anos. O caso ocorreu em novembro do ano passado, em Dourados, a 225 km de Campo Grande.
O sacerdote desapareceu no dia 14 de novembro de 2025. Na ocasião, ele teve o Jeep Renegade roubado; posteriormente, o seu corpo foi ocultado em uma área de mata no Distrito Industrial, sendo localizado no dia seguinte, ou seja, no dia 15 daquele mês.
Na época, cinco jovens foram detidos em flagrante pela Polícia Civil, entre eles Leanderson e João. As investigações apontam que Leanderson, com 18 anos, foi o principal suspeito pelo latrocínio — roubo seguido de morte.
Ainda, na ocasião dos fatos, o delegado do SIG (Serviço de Investigação Geral), Lucas Albe Veppo, afirmou que a motivação do crime seria justamente roubar o carro do padre para vendê-lo no Paraguai, subtrair o celular e usar a casa para festas.
Já na última sexta-feira, saiu a sentença condenatória proferida pelo juiz Marcelo da Silva Cassavara.
Com isso, Leanderson – que é apontado como o principal acusado – foi condenado a 22 anos de reclusão, seis meses de detenção e 40 dias-multa no valor de 1/30 do salário mínimo vigente à época dos fatos, corrigidos monetariamente. O regime inicial de cumprimento de pena deve ser o fechado.
Já João Vitor, apontado por ajudar na ocultação do cadáver e também na limpeza do local, foi condenado a quatro anos de reclusão, seis meses de detenção e 40 dias-multa no valor de 1/30 do salário mínimo vigente à época dos fatos. O regime inicial deve ser aberto.
O padre Alexsandro da Silva Lima desapareceu no dia 14 de novembro, em Dourados. Seu corpo foi encontrado apenas no dia seguinte, no distrito industrial, enrolado em um tapete. A perícia afirma que a morte ocorreu em sua própria residência, com golpes de martelo e facadas.
Os dois principais autores planejaram o roubo seguido de morte com a intenção de levar o carro ao Paraguai. Um deles também pretendia manter o celular e até ocupar a casa da vítima.
Já os outros três jovens que foram apreendidos — na época — teriam auxiliado na limpeza do imóvel, na eliminação dos vestígios e no transporte do corpo, além de furtarem objetos, posteriormente recuperados.
Durante o depoimento, um dos jovens contou que conheceu Alexsandro por meio do ex-cunhado, de 13 anos na época, que também seria uma vítima aliciada. O servente de pedreiro, então com 17 anos, teria sido chamado para uma prestação de serviço em obra. Porém, não havia trabalho. Ele alega que o padre oferecia de R$ 40 a R$ 100 para sexo oral. Outra revelação seria que o padre costumava buscá-lo em frente à escola, com o carro roubado no crime, um Jeep Renegade.
O jovem ainda revela que, no dia do crime, na sexta-feira, combinou o encontro na intenção de roubar o veículo. Ele planejava o roubo há dias e venderia o carro no Paraguai por R$ 40 mil. No entanto, ele diz que foi forçado a praticar sexo oral, o que teria motivado a morte. No dia do crime, ele iria receber R$ 50 pelos atos sexuais.
Revelando os detalhes do crime, ele diz que Alexsandro teria saído para abrir o portão, para receber o adolescente — que também foi apreendido em flagrante —, momento em que o jovem o golpeou com a marreta. Logo, a vítima teria tentado desarmá-lo, mas foi atingida por mais cinco golpes. O jovem descreve que a vítima teria caído ao chão e ficado agonizando. O adolescente teria entrado na residência e pegado duas facas da cozinha. Então, a vítima foi atingida por facadas no pescoço e no peito.
No depoimento, o jovem diz que a vítima ficou agonizando por mais 10 minutos após as facadas. Ele alega que pediu uma toalha molhada para tentar sufocar a vítima. Ainda na casa que pertence à igreja, ele teria pedido ajuda do adolescente para enrolar o corpo em um tapete e colocá-lo no porta-malas. Ele teria movido os bancos traseiros do Jeep para inserir o corpo.
O crime teria acontecido durante a noite de sexta-feira, 14 de novembro de 2025. O jovem de 18 anos diz que tomou banho na casa, pois estava sujo de sangue. Ele saiu com o veículo e teria descartado o celular da vítima próximo a um terreno baldio, ao lado do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul). Inclusive, a Polícia Civil encontrou o grupo no veículo no momento em que retornava para recuperar o celular.
