Após prisão, Gerson Palermo é extraditado para o Brasil em avião da PF

Midiamax/AB

Gerson Palermo durante a extradição (Foto: El Deber)

Nesta quarta-feira (27), ocorre a extradição de Gerson Palermo da Bolívia para o Brasil. Apontado como chefão do PCC (Primeiro Comando da Capital), Gerson vivia em uma propriedade rural na Bolívia e dizia ser agricultor. A princípio, ele deve seguir para Campo Grande, mas nem a defesa nem a Polícia Federal confirmaram a informação até o momento.

Conforme o site boliviano El Deber, ainda na manhã desta quarta-feira equipes policiais da Felcn (Força Especial de Combate ao Narcotráfico) escoltaram Gerson Palermo até o aeroporto de Viru Viru.

Lá, equipes da Polícia Federal fazem a escolta para a extradição. Gerson Palermo saiu algemado da viatura, sob escolta policial brasileira e boliviana. A prisão ocorreu na terça-feira (26), após quase 6 anos da fuga de Palermo.

Vivia no campo

Gerson Palermo, de 68 anos, conhecido como ‘Pigmeu’ estava morando em uma propriedade nas proximidades de Cotoca, cidade na Bolívia, localizada a cerca de 19 km de Santa Cruz de la Sierra.

Bastante conhecido, Palermo é apontado como integrante do PCC, com ligações com narcotráfico internacional, com atuação no tráfico transnacional de cocaína, lavagem de dinheiro e articulação logística entre Brasil e Bolívia.

Segundo a PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul), as diligências para realizar a captura de Palermo se iniciaram após a identificação do sequestro da própria filha, de 25 anos, por disputa envolvendo dinheiro do tráfico.

Sequestro

O sequestro ocorreu em outubro de 2025, em Campo Grande, após o sumiço de 100 mil dólares. Na ocasião, a filha de Palermo foi resgatada por policiais do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) e da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).

A partir daí, as investigações por meio do Núcleo da Inteligência Policial da Depca, em atuação conjunta com a Polícia Federal e a FELCN (Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia), permitiram identificar a localização de Palermo, que estava escondido na Bolívia.

Vivendo em Cotoca

Segundo o site boliviano El Deber, o chefão do PCC estava vivendo em uma propriedade nas proximidades de Cotoca. Por lá, ele se passava por um empresário de grande sucesso do ramo do agronegócio.

O município é famoso por sua arquitetura colonial e também por abrigar o Santuário da Virgem Cotoca — padroeira do Oriente Boliviano —, que atrai milhares de peregrinos.

Quem é Gerson Palermo

Palermo é apontado como um dos chefões do PCC e tem registros policiais desde o início dos anos 90. A maior pena do traficante é por um caso histórico: o sequestro de um Boeing 727 da Vasp, em 2000. Na ocasião, Palermo liderou uma quadrilha que tomou o controle do avião após a decolagem em Foz do Iguaçu, fronteira com o Paraguai.

Então, Palermo, que também é piloto de avião, deu as coordenadas e obrigou o piloto a pousar na cidade de Porecatu, interior do Paraná, onde o grupo roubou nove malotes do Banco do Brasil, com cerca de R$ 5,5 milhões.

Palermo, que já havia sido preso em 1991 por tráfico de drogas, foi preso novamente em 29 de agosto de 2000 pelo sequestro do avião. Por este crime, ele foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão. Nessa época, ele já era considerado pela PF como um dos maiores traficantes do país.

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