Irã rejeita proposta de Omã para gestão conjunta do Estreito de Ormuz

CNN

Embarcações no Estreito de Ormuz, Musandam, Omã • 27 de abril de 2026. (Foto: REUTERS/Stringer)

Teerã rejeitou a proposta de Omã para uma gestão regional conjunta do Estreito de Ormuz, afirmou uma autoridade iraniana de alto escalão à Reuters nesta quarta-feira (29), frustrando as esperanças de uma solução para o impasse que há meses paralisa o comércio no Golfo.

Omã havia proposto um novo acordo regional para tentar resolver o conflito em torno do estratégico estreito, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em fevereiro.

No entanto, Teerã descartou a proposta de Omã para uma administração conjunta da passagem marítima, afirmando que ela não teria chances de sucesso.

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita estão tentando pressionar Omã a avançar com seus “planos irreais” para o estreito estratégico, disse a autoridade à Reuters. O Irã insistiu que toda a rota de entrada pelo estreito e parte da rota de saída devem permanecer sob controle iraniano, acrescentou.

Um acordo de controle compartilhado em proporção de 50% para cada lado com Omã não atenderia aos interesses do Irã, embora Teerã considere Omã um vizinho valioso, afirmou a autoridade.

A IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) afirmou nesta quarta-feira que suas forças atingiram três petroleiros no estreito e os obrigaram a parar após ignorarem alertas por seguirem uma “rota insegura e ilegal”.

A Marinha da IRGC afirmou em comunicado que continua mantendo controle total sobre a hidrovia estratégica e advertiu que a “interferência militar ilegal dos Estados Unidos” e as instruções dadas a embarcações na região não ficarão sem resposta.

A Reuters não conseguiu verificar imediatamente a versão apresentada pela Guarda Revolucionária.

Preços do petróleo voltam a disparar

Os preços do petróleo subiram mais de US$ 3 por barril nesta quarta-feira, à medida que os ataques voltaram a se intensificar.

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita lançaram ataques contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque nesta quarta-feira, afirmando que eles foram responsáveis por ataques com drones contra instalações petrolíferas sauditas. A ação levou o Irã a advertir que responsabilizá-lo por esses ataques seria um “grave erro de cálculo”.

Os ataques dos EUA e da Arábia Saudita no leste do Iraque ocorreram poucas horas depois de os militares americanos afirmarem que seus sistemas de defesa aérea impediram um ataque surpresa iraniano contra tropas dos EUA na região. A IRGC afirmou nesta quarta-feira que lançou vários mísseis balísticos contra instalações militares americanas na Jordânia.

As forças militares da Jordânia disseram que seus sistemas de defesa aérea interceptaram e derrubaram cinco mísseis iranianos que tinham como alvo o país nesta quarta-feira.

Os ataques de ambos os lados nos últimos dias encerraram uma breve pausa nos combates, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspender abruptamente uma campanha de bombardeios americanos que duraria duas semanas, e o Irã aparentemente fazer o mesmo.

A Arábia Saudita afirmou na terça-feira que suas defesas aéreas destruíram vários drones que tinham como alvo instalações petrolíferas na Província Oriental do país. Segundo o porta-voz do Ministério da Defesa saudita, Turki al-Maliki, milícias apoiadas pelo Irã lançaram os ataques a partir do território iraquiano.

Mais tarde, o Comando Central dos EUA e o Ministério da Defesa da Arábia Saudita disseram que os dois países atingiram vários locais no leste do Iraque que, segundo eles, eram usados pelo Irã para coordenar ataques com drones.

As PMF (Forças de Mobilização Popular) do Iraque disseram que vários de seus quartéis-generais oficiais em diferentes partes do país foram atacados nesta quarta-feira pelo que classificaram como forças dos EUA e da Arábia Saudita. A PMF afirmou que informações preliminares indicavam que várias pessoas morreram e outras ficaram feridas, além de danos a diversos prédios e instalações.

Em entrevista à televisão estatal iraniana, um integrante da Defesa do Irã negou fortemente qualquer ligação entre projéteis disparados de outros países contra alvos sauditas e o governo iraniano.

O militar, que não foi identificado e foi citado pela emissora estatal IRIB, afirmou que atribuir ao Irã ataques contra interesses dos Estados Unidos na região seria um “grave erro de cálculo”.

Omã propõe gestão conjunta de Ormuz

Em uma tentativa de resolver o conflito em torno do Estreito de Ormuz, Omã apresentou ao Irã um plano, apoiado por países do Golfo, para administrar a hidrovia. A proposta incluiria a cobrança de contribuições voluntárias de navios, segundo uma fonte do Golfo e um diplomata ocidental ouvidos pela Reuters na terça-feira.

Pela proposta de Omã, o Irã não teria controle exclusivo sobre o estreito e as contribuições seriam voluntárias, disseram as fontes.

O sistema seria semelhante ao adotado no Estreito de Malaca, na Ásia, onde Indonésia, Malásia e Singapura solicitam contribuições voluntárias de navios para financiar navegação, proteção ambiental e operações de busca e salvamento.

O Irã fechou efetivamente o estreito após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país em 28 de fevereiro. Um acordo firmado no mês passado entre Washington e Teerã reabriu parcialmente a passagem, com negociações futuras previstas para tratar de questões mais amplas, incluindo o programa nuclear iraniano. No entanto, o acordo entrou em colapso no início de julho, depois que o Irã disparou contra embarcações que utilizavam um canal de navegação que o país não reconhece.

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