História

Há 144 anos, indígena chiquitano liderou fuga de nove escravizados em Coxim

Fonte: Maikon Leal

Um episódio marcante da história de Coxim foi registrado em 7 de novembro de 1882, quando nove pessoas escravizadas fugiram da Fazenda Santa Luzia, localizada na antiga São José de Herculânia, atual município de Coxim. O grupo foi conduzido por André, um indígena chiquitano de 22 anos.

A fuga envolveu cinco homens e quatro mulheres que pertenciam a Joaquim José de Santana. O caso ganhou repercussão na época e motivou a publicação de um anúncio em um jornal de Corumbá, no qual o coronel Antonio Luiz da Silva Albuquerque, chefe político do distrito, oferecia uma recompensa pela captura dos fugitivos.

Publicado em 30 de novembro de 1882, o anúncio prometia um conto de réis a quem encontrasse o grupo e o entregasse a alguma autoridade, para que o proprietário fosse comunicado.

O documento também trazia uma descrição física detalhada dos nove escravizados e de André, identificado como o indígena responsável por conduzir a fuga.

Entre os cinco homens estavam Manoel, de 25 anos; Benedicto, de 30; Jesuino, identificado como africano, de 35 anos; Athanasio, de 20; e Geraldo, de 25 anos.

As quatro mulheres eram Rosa, de 25 anos; Gertrudes, de 20; Precollina, também de 20 anos; e Benedicta, de 25 anos.

André, por sua vez, era descrito no anúncio como um indígena de 22 anos, sem barba, de estatura regular e semblante alegre.

Um registro histórico da luta pela liberdade

O episódio revela um importante capítulo da história de Coxim e da resistência à escravidão no antigo território sul-mato-grossense. A participação de André, um indígena chiquitano, chama a atenção por evidenciar seu protagonismo na condução de um grupo de pessoas que buscava escapar da condição de escravização.

A publicação do anúncio, com descrições físicas e oferta de recompensa, também demonstra os mecanismos utilizados na época para tentar localizar e capturar pessoas que fugiam em busca da liberdade.

O fato ocorreu menos de seis anos antes da assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil.

Mais de um século depois, o anúncio publicado em 1882 permanece como um documento histórico que ajuda a preservar a memória de Coxim e a compreender as histórias de resistência que também fazem parte da formação do município.

Quem tiver informações, documentos, fotografias ou registros históricos sobre fatos como este pode encaminhá-los à nossa redação através do WhatsApp (67) 99659-6042 ou e-mail coximagora@gmail.com . Sua contribuição é importante para resgatar e preservar a história de Coxim e da região.

As informações são do Colunista Sérgio Cruz.