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Empresários dos setores de finanças, combustíveis e mineração doaram R$ 2,3 milhões ao Partido Liberal, após o presidenciável Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno com 2 milhões de votos mais que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
Grandes doadores têm preferido a doação às agremiações políticas em vez do candidato, como mostrou reportagem da Folha. Dessa maneira, o dinheiro não aparece diretamente na prestação de contas de quem disputa a eleição e é identificado em um sistema separado.
Desde o último dia 4, quando se realizou a primeira etapa da votação, o Partido dos Trabalhadores, de Lula, declarou R$ 85 mil em doações de representantes do setor sucroalcooleiro. A cifra representa 3,7% do valor recebido pelo PL.
Os setores de infraestrutura, mineração, finanças e combustíveis, que dependem de contratos do governo ou estão sob supervisão de agências reguladoras, se destacam nas contribuições neste segundo turno.
Entre os doadores de Flávio após a primeira rodada das eleições estão Ralph Gustavo Rosemberg Whitaker Carneiro e Bruno Baptistella, ambos da gestora de investimentos Perfin, com R$ 500 mil cada; o dono da rede paranaense de postos de combustíveis Potencial, Arnoldo Hammerschmidt (R$ 600 mil); e os diretores do Banco Mercantil Luiz Henrique Andrade de Araujo e Pedro Henrique de Oliveira (R$ 100 mil cada).
Em nota, o Banco Mercantil diz que a contribuição foi realizada por seus sócios em caráter estritamente pessoal. “A doação não envolveu recursos da companhia e não representa posicionamento ou apoio institucional a qualquer candidato, partido político ou campanha eleitoral.”
A Perfin e o Grupo Potencial afirmaram que não comentariam os movimentos de seus acionistas.
Os donos de mineradoras Valeria Fernandez Borges Dias, da Flapa Mineração, e Renato Moraes Salvador Silva, da Tramix, também doaram R$ 200 mil cada. A reportagem não conseguiu localizar porta-vozes das empresas.
Parte dos doadores disse, sob reserva, que fizeram doações também para o PT que ainda não foram declaradas.
O Partido dos Trabalhadores, do presidente Lula, recebeu doações dos representantes da agroindústria José Sergio Ferrari Junior, João Luiz Quagliato Neto, Roque Quagliato, Mario Tittoto e Carlos Ubiratan Garms.
Garms, que doou para o PL e para o PT, é presidente do conselho deliberativo da Única (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia). A entidade afirmou que a doação dele não representa o grupo.
Também fazem parte da Única executivos da Raízen, grupo comandado por Rubens Ometto, que doou R$ 800 mil para o PL no primeiro turno.
RELEMBRE DOAÇÕES NO PRIMEIRO TURNO
A maior doação para o partido de Flávio foi a de Frederico Gerdau Johannpeter — R$ 2,5 milhões em 4 de setembro, sem contar outros R$ 750 mil de seus familiares.
Como mostrou o Painel S.A., a maior doação direta para a campanha do presidenciável do PL, de R$ 1 milhão, veio de Angela Cristina Cattozatto Fortunato. Ela é esposa de Francisco Fortunato, presidente e acionista do Grupo OCQ.
O empresário Luiz da Rocha Salles Filho, que foi sócio da construtora OAS, também doou R$ 1 milhão. OAS e OCQ disseram que as contribuições tiveram motivações pessoais.
A maior doação de pessoa física para o PT foi de R$ 500 mil, feita em 21 de agosto pelo fundador da Locamerica e hoje acionista da Localiza Sergio Augusto Guerra de Resende. O empresário também destinou R$ 300 mil para a campanha do PL ao governo do estado de Minas, encabeçada por Flávio Roscoe.
O fundador da Localiza, Jose Salim Mattar Junior, também doou R$ 250 mil ao PL. Procurado por WhatsApp ao meio-dia desta terça (13), Mattar não respondeu.
No primeiro turno, o PT ainda recebeu R$ 344 mil do controlador do Grupo Amil, Jose Seripieri Filho, além de R$ 100 mil de cada um dos irmãos João Moreira Salles e Walther Moreira Salles Junior, acionistas do Itaú e cineastas.