
Com a chegada do verão e o aumento das viagens nacionais e internacionais, muitos brasileiros mudam totalmente a rotina: dormem menos, enfrentam longos trajetos, sejam em viagens de carro, ônibus ou avião, lidam com fusos horários diferentes e se expõem a ambientes muito quentes ou diferentes do habitual. Para garantir um período de descanso mais agradável e seguro, especialistas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz destacam sete cuidados fundamentais para antes, durante e depois do deslocamento.
A preparação começa dias antes. “O planejamento antecipado, com ajustes dos horários de dormir e acordar, permite que ocorra uma transição gradual do ritmo de sono, em vez que forçar uma mudança abrupta. Isso ajuda o corpo a se adaptar ao fuso horário do destino e reduz o impacto do jet lag”, explica Dr. Daniel Suzuki, psiquiatra do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
O jet lag não é apenas cansaço após voar: é um distúrbio do ritmo circadiano, conhecido popularmente como relógio biológico, que varia de acordo com o destino. “Deslocamentos para o leste, como Europa, Oriente Médio ou Ásia, costumam ser mais difíceis porque exigem adiantar o horário de sono, algo naturalmente desafiador para o organismo”, afirma o Dr. Daniel Suzuki. Exposição à luz natural, hidratação e evitar álcool e cafeína nos voos ajudam na adaptação.
O psiquiatra também reforça que a automedicação, com remédios que causam sonolência e melatonina, deve ser evitada, uma vez que podem agravar o problema. O uso dessas substâncias precisa ser prescrito de forma individualizada e orientado por um especialista.
A trombose acontece quando o sangue forma um coágulo dentro das veias, principalmente nas pernas, dificultando a circulação. Isso pode causar dor, inchaço e sensação de peso1. De acordo com o Ministério da Saúde, longos períodos sentado reduzem a circulação sanguínea nas pernas, aumentando o risco de trombose venosa profunda, mesmo em pessoas sem histórico prévio2. É importante levantar e caminhar a cada duas ou três horas, movimentar tornozelos e joelhos, hidratar-se bem e, quando indicado por um médico, utilizar meias de compressão2. Roupas confortáveis também fazem diferença.
Seja em viagens de carro, ônibus, moto, navio ou avião, longos períodos exposto ao calor, ao ar-condicionado ou a ambientes secos favorecem a desidratação. Esse desequilíbrio pode aumentar o cansaço, a sonolência e até causar dor de cabeça no destino. A recomendação é consumir água regularmente, alternar com bebidas isotônicas quando necessário, evitar o consumo de álcool durante o trajeto e optar por refeições leves para garantir maior bem-estar ao chegar.
“Muita gente esquece que picadas de insetos e doenças endêmicas variam conforme a região visitada. Em destinos de mata, litoral ou países tropicais, a vacinação adequada e o uso de repelentes são fundamentais”, orienta o Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
O Ministério da Saúde, em seu guia “Saúde do Viajante”, apresenta uma lista de cuidados tanto para aqueles que pretendem viajar pelo Brasil quanto para os que estão indo para o exterior3. As principais recomendações são:
“Antes de viajar, é fundamental que o viajante esteja com o esquema vacinal em dia, especialmente contra doenças como febre amarela, sarampo, difteria, tétano, poliomielite, e, se for para áreas com risco, que receba a vacina de febre amarela com pelo menos 10 dias de antecedência, para garantir proteção adequada”, reforça o infectologista.
Mudanças de rotina, calor intenso e alteração de fuso podem afetar o sistema digestivo. Nos primeiros dias, o ideal é optar por refeições leves, evitar excessos de álcool e observar a procedência dos alimentos, especialmente em praias, quiosques e restaurantes muito movimentados.
Cansaço prolongado, irritabilidade, cefaleia e dificuldades para dormir podem indicar que o corpo ainda está se adaptando. “Dormir em horários próximos aos do destino, manter uma rotina de luminosidade coerente e evitar cochilos longos ajudam o corpo a regular novamente o ciclo circadiano”, reforça Dr. Daniel.
NM