
Mato Grosso do Sul confirmou o primeiro caso de raiva em morcego em 2026, acendendo um alerta sanitário para produtores rurais e órgãos de defesa agropecuária. O animal infectado foi localizado na região entre os municípios de Coxim e Rio Verde de Mato Grosso, área que passou a ser considerada foco da doença.
Após a confirmação do caso, produtores situados na região de perifoco foram comunicados pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), por meio do sistema de inteligência do órgão. As notificações incluem orientações técnicas sobre os cuidados necessários para evitar a disseminação do vírus.
A Iagro destaca que a população pode acompanhar as áreas com registros da doença por meio do Painel da Raiva, ferramenta oficial que permite o monitoramento dos focos confirmados em todo o Estado.
Segundo informações publicadas pelo Correio do Estado, a fiscal estadual agropecuária Lorrana Reis Vieira alerta que o manejo inadequado de morcegos pode agravar a situação. Conforme a especialista, a destruição de abrigos por conta própria é contraindicada e pode aumentar a dispersão da espécie transmissora.
“É fundamental que o produtor não tente controlar a situação sozinho. A Iagro realiza o monitoramento dos abrigos de forma técnica e segura, evitando riscos maiores”, explica.
A agência reforça ainda que, ao identificar qualquer situação suspeita, o produtor deve comunicar imediatamente a Iagro. Não há interdição da propriedade, aplicação de multas ou cobrança pelo atendimento, que é totalmente gratuito.
Dez anos sem casos em humanos
Em Mato Grosso do Sul, uma década se passou sem registros de raiva em humanos. O último caso confirmado no Estado ocorreu em abril de 2015, em Corumbá, durante um período de epidemia da doença em animais.
Na ocasião, um homem de 38 anos foi mordido por um cachorro infectado e procurou atendimento médico quase um mês após o ocorrido. Ele foi transferido para o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, onde permaneceu internado em isolamento, sob coma induzido e respirando por aparelhos.
Após cerca de um mês de internação, o paciente faleceu em decorrência de uma parada cardíaca. Esse foi o primeiro caso de raiva em humanos no Estado desde 1994, encerrando um período de 21 anos sem registros.
Doença fatal e prevenção
A raiva é uma doença viral que atinge mamíferos, incluindo seres humanos, e é considerada praticamente fatal após o surgimento dos sintomas. Apesar da baixa incidência em humanos, a enfermidade segue sendo motivo de grande preocupação para as autoridades de saúde.
De acordo com o Ministério da Saúde, a transmissão ocorre por meio da saliva de animais infectados, principalmente através de mordeduras, arranhaduras ou lambeduras.
Após o período de incubação — que pode durar cerca de 45 dias em adultos e menos tempo em crianças — surgem os primeiros sintomas, como náuseas, perda de apetite, mal-estar geral, dor de cabeça, dor de garganta, irritabilidade, inquietação, dormência, febre baixa e sensação de angústia.
Esses sinais iniciais costumam durar de dois a dez dias. Em seguida, o quadro evolui rapidamente para sintomas mais graves, como febre alta, delírios, convulsões e espasmos musculares involuntários. Em geral, o período entre o agravamento dos sintomas e o óbito varia de dois a sete dias.
Por isso, a vacinação é recomendada como medida preventiva para pessoas com alto risco de exposição, como veterinários e biólogos. A vacina antirrábica para cães e gatos é distribuída gratuitamente pela rede pública de saúde, já que a proteção dos animais domésticos é considerada essencial para impedir a transmissão da doença aos humanos.









