Certamente, a pandemia transformou a vida como a conhecíamos e ainda tem grandes impactos no mundo todo. Logo no início da pandemia, muita gente se questionou se era possível contrair o novo coronavírus, causador da Covid-19, por meio dos alimentos e até das embalagens de produtos.
Segundo reportagem do site Tasting Table, embora a Food Standards Agency (FSA) (órgão que regulamenta os alimentos, nos Estados Unidos) tenha publicado uma pesquisa em 2020 expressando que era muito improvável que o vírus da Covid sobrevivesse em alimentos e embalagens, um novo estudo realizado pela Universidade de Southampton, em conjunto com a FSA, confirmou as taxas exatas de sobrevivência do vírus nesses ambientes.
A nova pesquisa testou a presença e a taxa de sobrevivência do coronavírus em uma série de alimentos, como pães, carnes e vegetais, e em diversas embalagens próprias para acondicionar comida. E, de acordo com o estudo divulgado pela Food Safety News, coronavírus consegue, sim, sobreviver em alimentos e embalagens, mas com taxas de sobrevivência variáveis.
No caso de itens como croissants, azeitonas e maçãs, a queda na quantidade de vírus pode ocorrer em questão de horas, graças a potenciais inibidores naturalmente presentes nessas comidas, como o ovo pincelado no croissant ou os flavonóides dos vegetais e cascas de frutas. No entanto, itens como presunto e queijo apresentaram altos níveis do vírus mesmo após uma semana, o que pode estar relacionado às maiores concentrações de umidade, gordura e proteína nesses alimentos.
Quanto às embalagens, todos os materiais analisados, como alumínio e alguns tipos de plástico, apresentaram queda significativa na contaminação ao longo de 24 horas, mesmo em condições de umidade.
“Nos estágios iniciais da pandemia, não sabíamos muito sobre como o vírus sobreviveria em diferentes superfícies e embalagens de alimentos, então a avaliação de risco foi baseada em uma suposição de pior caso”, explicou Anthony Wilson, líder do Microbiológico Equipe de Avaliação de Risco (via FSA).
Porém, as novas descobertas confirmam que a maioria dos produtos e materiais de embalagem representam pouco risco para o bem-estar da população, pois as taxas de contaminação viral normalmente despencam nas primeiras 24 horas. O risco é minimizado ainda mais quando os alimentos são manuseados adequadamente para evitar a transmissão de quaisquer patógenos.
É por isso que a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA recomenda lavar as mãos antes e depois de manusear os alimentos e suas embalagens, além de desinfetar regularmente as superfícies da cozinha e ter o cuidado de armazenar adequadamente os alimentos para evitar a deterioração e a contaminação cruzada – mesmas recomendações aplicadas aqui no Brasil pelos órgãos competentes nacionais.
De acordo com Wilson, “esta [nova] pesquisa nos fornece informações adicionais sobre a estabilidade do coronavírus nas superfícies de uma variedade de alimentos e confirma que as suposições que fizemos nos estágios iniciais da pandemia eram apropriadas e que a probabilidade de você pegar Covid por meio de alimentos é muito baixa.”