Medo e tensão: onça-pintada retorna, ronda residência e tenta acessar varanda

DC/AB

Reprodução/Vídeo enviado ao Diário Corumbaense

Moradores de uma residência localizada na rua Marechal Floriano, nas proximidades da entrada do Mirante da Capivara, em Corumbá, vivem momentos de muita tensão e medo após uma nova aparição de onça-pintada na madrugada desta quinta-feira (23). O animal atacou e matou uma cadela da família na madrugada anterior.

Imagens de câmera de segurança registraram o felino pouco depois das 2h, caminhando pela rua em direção ao imóvel. Em determinado momento, a onça sobe na mureta e no portão da varanda, aparentando tentar acessar o interior da residência. Após alguns segundos, segue para a lateral da casa, saindo do alcance da câmera.

Minutos depois, galinhas criadas naquela região ficam agitadas, indicando a presença do animal. Um vulto é visto correndo pela rua em direção ao Mirante da Capivara. Segundo os moradores, uma galinha foi levada pelo felino.

Ao Diário Corumbaense, Odney Edson de Souza Torres, genro da proprietária do imóvel, relatou que a situação tem gerado pânico na família. Na casa vivem idosos e crianças.

“A minha sogra está apavorada, meu sogro é idoso, temos crianças. Agora a preocupação não é só com os animais, mas com a nossa segurança. Depois da varanda, a onça já está tentando entrar na casa”, afirmou.

Momento em que a onça tenta entrar na varanda da casa, local onde atacou a cadela “Ana”, na madrugada anterior

De acordo com ele, o felino tem demonstrado comportamento cada vez mais ousado. “Ele não está com medo, está procurando alimento. Queremos saber se algum órgão responsável vai tomar providências, porque a situação chegou a um ponto crítico”, cobrou. “Estamos com medo e não sabemos o que fazer, chega às 18h, já estamos trancados dentro de casa”, completou.

Outras imagens mostram a onça circulando pelo imóvel entre 1h07 e 1h16, também na madrugada desta quinta. Ela se dirige ao quintal e chega a parar na lateral da casa, como se observasse o ambiente, antes de seguir para os fundos.

Na madrugada de quarta-feira (22), por volta das 3h30, a cadela “Ana”, que pertencia à família, foi morta após ser atacada pelo felino na varanda da residência. O ataque foi presenciado por uma das moradoras, que tentou socorrer o animal, mas ele não resistiu aos ferimentos no pescoço.

A cadela caramelo, quase um ano atrás, em maio, espantou uma onça-pintada que havia invadido o quintal do imóvel. As aparições seguiram por mais tempo e, este ano, a onça vem sendo vista na região desde o período de Carnaval.

Captura e remoção do felino

Nesta quinta-feira (23), o grupo técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário, se manifestou sobre as medidas para garantir a segurança dos moradores. O grupo é composto por representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ICMBio, da Polícia Militar Ambiental (PMA), da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, da Defesa Civil de Corumbá, IHP (Instituto Homem Pantaneiro), com participação dos pesquisadores voluntários Diego Viana e Graziela Porfírio.

O grupo ressaltou que há mais de um ano vem acompanhando a presença de onça-pintada na área urbana e realiza ações como uso de armadilhas fotográficas, rondas noturnas, atendimento à população e medidas preventivas para reduzir riscos.

Após os registros recentes de ataques a animais domésticos e a recorrência do comportamento do felino em áreas urbanizadas, foram definidas a captura e a remoção do animal. A operação, considerada complexa, prevê captura, avaliação clínica e soltura em local adequado, com monitoramento por GPS.

“Também estão sendo confeccionadas gaiolas adequadas para a captura e transporte desse animal, porque como é uma área urbana ali, todo esse cuidado deve ser tomado para evitar acidente com pessoas e também com os animais. Então, as gaiolas que existiam em Corumbá, que eram utilizadas no passado, estão passando por uma atualização no sentido de melhoria e, ao mesmo tempo, tem a possibilidade da utilização de laços. A captura já está em operação, mas é importante também citar que não é fácil. Não é só chegar ali, várias pessoas procurando a onça e capturá-la. São metodologias diferentes para fazer essa captura e o melhor possível está sendo feito por toda essa equipe”, afirmou ao Diário Corumbaense o pesquisador Diego Viana.

“Até agora as câmeras-trap instaladas na região só identificaram uma onça. Existem relatos dos moradores da presença de filhotes, porém, não temos nenhum indício disso até agora, nem nas câmeras, nem observando pegadas na área afetada”, respondeu ao ser perguntado pela reportagem sobre a possibilidade da existência de mais de uma onça.

O grupo técnico destacou que além das ações emergenciais, a prevenção de novos incidentes depende da redução de fatores de risco, especialmente a presença de atrativos alimentares e a vulnerabilidade de animais domésticos no período noturno. Nesse sentido, a participação da população é fundamental nesse processo.

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