
Casal foi encontrado morto no último sábado (28). (Foto: Reprodução, A Princesinha News)
Em depoimento à Polícia Civil, Maria de Fátima Luzni Fernandes, de 26 anos, presa desde segunda-feira (30), suspeita de envolvimento na morte dos pais, Maria Clair Luzni e Vilson Fernandes Cabral, alegou abusos sexuais e mencionou desacordo sobre a divisão do valor referente a uma casa da família que está à venda.
Os detalhes sobre o depoimento de Maria de Fátima foram informados à reportagem do Jornal Midiamax nesta quinta-feira (2). Segundo a delegada titular da Delegacia de Anastácio, Tatiana Zynger, os envolvidos apresentam versões diferentes e inconsistentes sobre o caso.
A filha do casal, encontrado morto no último sábado (28), afirma que foi convencida pelo companheiro Wedebrson Haly Matos da Silva, de 34 anos, a “dar um susto” no pai. A motivação seria um desacordo sobre a venda de uma casa da família, anunciada por R$ 120 mil.
Em depoimento, Maria de Fátima disse que receberia R$ 20 mil pela venda. No entanto, na versão dela, o companheiro não concordava com o valor. “Ela tinha uma construção nos fundos dessa casa e, segundo ela, o Wedebrson queria que ela recebesse metade do valor da venda e, por isso, teria sugerido castigar o pai”, relata a delegada.
Ainda segundo as informações, Maria de Fátima justificou que aceitou o plano do companheiro porque tinha um relacionamento conturbado com o pai, marcado por histórico de abusos.
“Ela afirma que tinha um grande desafeto pelo pai, que ele abusou dela durante a infância e na adolescência, por isso, concordou com a ideia de Wedebrson em matá-lo. A ideia era castigá-lo pelos abusos”, conta.
Maria de Fátima também teria admitido que contratou David por R$ 1 mil e que foi ele quem contratou Wellington dos Santos Vieira, morto pela Polícia Militar na terça-feira (31). Em depoimento, ela também alegou que a morte da mãe não foi planejada.
“Ela admitiu que contratou David e que ele contratou Wellington, mas afirma que não era para a mãe ter morrido. Segundo ela, o Wedebrson teria dito que a mãe dela estaria na casa da avó”, diz.
Wedebrson, também apontado como suspeito de envolvimento na morte dos sogros, apresentou-se na quarta-feira (1º), na Delegacia de Polícia Civil de Anastácio. Ele negou participação na morte do casal e alegou legítima defesa no assassinato de David.
“A morte do David está praticamente solucionada. Sabemos que foi o Wedebrson, mas precisamos esclarecer a real motivação, porque os depoimentos do casal são inconsistentes, com muitas versões conflitantes”, frisa.
Já a morte de Maria Clair e Vilson não foi esclarecida. “Um joga para o outro. Wedebrson nega a participação, enquanto ela diz que a ideia foi dele. Continuamos as investigações para saber se alguma dessas versões é verdadeira”, explica.
Wedebrson estava com mandado de prisão e permanece preso. O suspeito passará por audiência de custódia na quinta-feira (2).
Maria Clair Luzini e Vilson Fernandes Cabral foram encontrados mortos no último sábado (28), dentro da própria casa, localizada na Rua Nicandro Saravi, no bairro Vila Juí, em Anastácio.
No dia anterior, sexta-feira (27), David Vareiro Machado foi morto. Ele é apontado como um dos envolvidos na execução do casal. Além dele, Wellington dos Santos Vieira, de 27 anos, também apontado com um dos suspeitos no crime, morreu na madrugada de terça-feira (31).
A Polícia alegou que Wellington foi morto durante confronto. Imagens de câmera de segurança registraram o momento em que ele é atingido de costas. Em seguida, dois militares retiram o corpo dele do local. Os policiais foram afastados da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul).
Maria, filha do casal, foi presa na última segunda-feira (30). Inicialmente, ela apresentou uma versão falsa dos fatos. Contudo, confessou envolvimento no crime e admitiu ter ordenado a execução dos pais. Ela também possui diversas passagens pela polícia.