Vereadores afirmam que tentativas de diálogo com a Prefeitura não avançaram e defendem investigação sobre a qualidade dos serviços, o planejamento e a aplicação dos recursos públicos

A Câmara Municipal de Campo Grande defende a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a execução dos serviços de tapa-buraco na Capital. Segundo vereadores de diferentes partidos, a iniciativa busca esclarecer reclamações da população sobre as condições das ruas, a qualidade dos reparos e os critérios utilizados pela Prefeitura para definir as vias atendidas.
Em entrevista ao TopMídiaNews, parlamentares afirmaram que o Legislativo tentou manter o diálogo com a administração da prefeita Adriane Lopes (PP), mas que a falta de avanços nas tratativas levou à defesa de uma investigação parlamentar. O impasse também ampliou o desgaste político entre os dois Poderes municipais.
O presidente da Câmara, vereador Papy (PSDB), afirmou que os parlamentares procuraram colaborar com a gestão municipal, mas ressaltou que a função fiscalizadora do Legislativo precisa ser exercida quando existem questionamentos sobre os serviços públicos.
Segundo ele, a CPI não deve ser interpretada como uma provocação política à prefeita, mas como uma oportunidade de esclarecer questões relacionadas à conservação das ruas de Campo Grande.
“Dos 29 parlamentares, a nossa intenção sempre foi ajudar Campo Grande e, naquilo que foi possível colaborar com o Executivo, nós fizemos”, declarou Papy. O vereador também afirmou que a Câmara não pode ignorar os problemas relacionados à administração pública.
Vereadores dizem que tentativas de diálogo não avançaram
O vereador Maicon Nogueira (PP), integrante do mesmo partido da prefeita, afirmou que a Câmara já buscou esclarecimentos sobre a operação tapa-buraco. De acordo com ele, o secretário municipal de Obras, André, esteve no Legislativo e apresentou prazos que, segundo o parlamentar, não foram cumpridos.
Para Maicon, a abertura da CPI representa uma medida de fiscalização diante da falta de resultados esperados e da necessidade de responder às reclamações dos moradores.
O vereador Professor Riverton (PP) também defendeu a investigação e ressaltou que a abertura de uma comissão não significa que alguém esteja sendo considerado culpado antecipadamente.
Segundo ele, a Prefeitura poderá apresentar documentos, informações sobre o orçamento, planejamento e dados relativos à execução dos serviços. A análise dessas informações deverá contribuir para esclarecer como os trabalhos estão sendo realizados.
Investigação envolve tapa-buraco, recapeamento e pavimentação
A vereadora Luiza Ribeiro (PT) defendeu a necessidade de apurar os serviços de manutenção e recuperação das vias, incluindo tapa-buraco, recapeamento, asfaltamento e tratamento de ruas sem pavimentação asfáltica.
A proposta é esclarecer como os serviços são planejados, quais critérios orientam a escolha das ruas atendidas e de que maneira os recursos públicos são empregados.
Essas questões estão no centro da discussão sobre a CPI, que pretende ampliar a fiscalização sobre as ações da administração municipal relacionadas à infraestrutura urbana.
Até que os trabalhos de investigação avancem, eventuais suspeitas precisam ser apuradas com base em documentos e informações oficiais, sem antecipar conclusões sobre a existência de irregularidades.
Tensão entre Câmara e Prefeitura aumenta
Além das divergências sobre os serviços de infraestrutura, a relação entre Executivo e Legislativo também foi marcada por tensão durante a sessão de terça-feira (20), quando apoiadores da prefeita estiveram na Câmara enquanto os vereadores discutiam a investigação.
Papy lamentou o clima registrado e afirmou que a presença de pessoas ligadas ao Executivo contribuiu para aumentar os ânimos. O presidente, no entanto, ponderou que não estava atribuindo diretamente à Prefeitura a responsabilidade por eventuais atos de tumulto.
Na avaliação do vereador Wilson Lands (Avante), o conflito entre os Poderes prejudica a cidade e não contribui para solucionar os problemas enfrentados pela população. Ele defendeu que a administração municipal concentre esforços na prestação dos serviços públicos.
Lands também informou que a Procuradoria da Câmara deverá analisar imagens da sessão para verificar a eventual participação de servidores nas manifestações durante o expediente e avaliar possíveis providências.
O vereador afirmou ainda que a redução da tensão depende de iniciativas para restabelecer o diálogo institucional.
Já Dr. Jamal (MDB) defendeu a manutenção das conversas entre os dois Poderes e ponderou que a execução dos reparos enfrenta dificuldades, incluindo questões burocráticas e os efeitos das chuvas sobre o pavimento.
Para ele, a CPI pode contribuir para esclarecer os problemas e identificar caminhos para melhorar os serviços.
CPI reúne assinaturas de diferentes partidos
De acordo com os vereadores ouvidos pelo TopMídiaNews, a proposta de criação da CPI reúne 28 assinaturas, indicando apoio de parlamentares de diferentes bancadas.
Maicon Nogueira afirmou acreditar que a comissão avance após a oitiva do secretário municipal responsável pela área.
A expectativa dos defensores da investigação é obter informações sobre os serviços executados, os prazos estabelecidos e o planejamento da Prefeitura para a recuperação das ruas.
Papy destacou que a fiscalização deve priorizar o interesse público, e não o confronto político. Segundo ele, a população precisa de respostas concretas sobre os problemas de infraestrutura da Capital.
O que a CPI pretende esclarecer
A investigação busca reunir informações que permitam avaliar a execução dos serviços de recuperação das vias, os critérios de definição das prioridades, o cumprimento dos prazos e a aplicação dos recursos públicos.
O resultado poderá ajudar a esclarecer os questionamentos sobre a operação tapa-buraco e a atuação da Prefeitura na conservação das ruas de Campo Grande.
Mais do que o embate entre vereadores e prefeita, o principal interesse da investigação é verificar como os serviços estão sendo prestados e quais medidas podem ser necessárias para melhorar as condições de tráfego e atender às demandas dos moradores.
