Alta periculosidade: resgatado de presídio é do PCC e especialista em explosivos

Midiamax/AB

Alambrado cortado pelo grupo de criminosos. (Fala Povo Midiamax)

Ítalo de Moraes, um dos detentos resgatados do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, é considerado de alta periculosidade. Ele, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa foram “resgatados” por um grupo armado na madrugada de segunda-feira (20).

Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, Ítalo é sobrinho de Antenor Motta de Moraes, conhecido como ‘Gugu’, que é casado com uma filha de José Cláudio Arantes, o ‘Tio Arantes’. ‘Gugu’ também era apontado como o apoio de ‘Tio Arantes’ no Estado para a venda de armas ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Em fevereiro de 2020, ‘Gugu’ ameaçou de morte agentes penitenciários no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande.

Membro do PCC, Ítalo é especialista em explosivos, além de ser considerado de alta periculosidade. Inclusive, em outubro de 2017, o Jornal Midiamax noticiou que ‘Tio Arantes’ foi preso por uma explosão de caixas eletrônicos em uma agência bancária no Parque de Exposições Laucídio Coelho.

Na mesma ocasião, Ítalo também foi preso por participar do crime. Em 2013, ele foi denunciado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) junto de Tio Arantes e outros por associação com o tráfico.

Considerado líder do PCC, ‘Tio Arantes’ foi preso na Bolívia em 2023. Ele ficou foragido desde novembro de 2021, quando fugiu do mesmo presídio em que houve o resgate dos detentos na segunda-feira (20), o Centro Penal Agroindustrial da Gameleira.

Agepen nega invasão ao presídio e o resgate

Diante da evasão, o Jornal Midiamax acionou a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) para saber quais medidas foram adotadas. Em nota, a Agepen negou a invasão ao presídio e o resgate, mas confirmou evasão dos presos. Confira na íntegra:

“A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) informa que, na manhã de segunda-feira (20), durante os procedimentos de conferência de rotina no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, foi constatada a evasão de três custodiados: Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa. Não houve confronto, invasão de grupos armados, tampouco registro de indivíduos portando armamento durante a ação. A estrutura de contenção já foi restabelecida, e já foi instaurado procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da evasão.

A partir da verificação da ocorrência, a Polícia Penal adotou imediatamente todas as medidas operacionais previstas para esse tipo de situação. A Diretoria de Operações da Agepen, a Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário e as demais forças de segurança pública foram acionadas, a evasão foi registrada nos sistemas de gestão prisional para o bloqueio dos custodiados, e o fato foi comunicado ao Juízo da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande para as providências judiciais cabíveis, incluindo a expedição dos respectivos mandados de prisão.

Importante destacar que o Centro Penal Agroindustrial da Gameleira é uma unidade de regime semiaberto, de segurança mínima, com características compatíveis com essa modalidade de cumprimento de pena, na qual parte dos custodiados exerce atividade laboral externa durante o dia, retornando à unidade para pernoite; sendo que a estrutura física segue os parâmetros previstos para essa modalidade de execução penal, distintos daqueles adotados em estabelecimentos de segurança máxima.

A Agepen destaca a pronta resposta da Polícia Penal diante da ocorrência e a atuação integrada com as demais forças de segurança, que já realizam diligências e ações de inteligência voltadas à localização e recaptura dos evadidos.”

Resgate aconteceu 2 semanas após ataque ao comboio do Bope

No dia 4 de julho, criminosos atacaram um comboio do Bope (Batalhão de Operações Especiais) para resgatar um preso. Conforme apurou o Jornal Midiamax na época do ataque, as equipes do Bope estariam em quatro viaturas, sendo uma delas descaracterizada, transportando o suspeito de Corumbá com destino a Campo Grande. Esse preso seria vinculado ao PCC.

Na ocasião, os militares teriam parado em um posto de combustíveis às margens da rodovia BR-262, no distrito de Albuquerque, para trocar o pneu de um dos veículos, quando tiros de fuzil foram disparados de uma área de mata.

Os tiros, disparados por supostos integrantes do Comando Vermelho, teriam atingido o suspeito, que não resistiu e morreu no local. A reportagem apurou ainda que haveria um prêmio em dinheiro, entre R$ 200 mil e R$ 2 milhões, pela vida desse suspeito.

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