Pai tentou “desintoxicar” filho de tecnologia em SC: entenda investigação

Foto: Reprodução/Divulgação

O americano Mark Alexander e o filho dele, Duncan Edward, foram encontrados em Balneário Camboriú (SC), nessa terça-feira (2), após ficarem desaparecidos por quase 4 dias. Em depoimento à polícia, Mark disse que eles estavam acampando em meio a mata, e que buscaram o refúgio pois o responsável gostaria de “desintoxicar” o filho de aparelhos tecnológicos.

A crescente preocupação com a exposição excessiva de crianças e adolescentes à tecnologia levanta questões sobre os limites da intervenção parental e o que a legislação brasileira prevê.

No Brasil, a responsabilidade por garantir um desenvolvimento saudável e proteger os menores dos riscos digitais é compartilhada entre família, comunidade, sociedade e poder público, conforme o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e legislações correlatas.

Isso significa que, embora os pais tenham o dever primordial de cuidado, há um arcabouço legal que orienta e, em certos casos, regula essa proteção.

ECA assegura o direito à proteção integral e ao desenvolvimento pleno, estendendo seus princípios ao cenário digital. Em casos de uso problemático de dispositivos, que afete o bem-estar físico ou mental, a lei pode ser acionada.

Responsabilidade Compartilhada e Ações Legais

Uma cartilha promovida pelo governo federal, intitulada como “Guia de Telas de Dispositivos Digitais”, descreve que a família detém o dever de sustento, guarda e educação, incluindo o zelo pela privacidade e imagem dos filhos, desaconselhando práticas como o sharenting.

Contudo, se a intervenção parental, como uma “desintoxicação” extrema, configurar castigo ou risco para criança, o caso deve ser obrigatoriamente comunicado ao Conselho Tutelar. Este órgão pode aplicar medidas aos pais, desde orientação até encaminhamento para programas de proteção.

Poder Judiciário pode intervir em situações mais graves, inclusive determinando a suspensão do poder familiar. O Ministério Público atua para zelar pelos direitos dos menores.

Além disso, empresas de tecnologia, escolas e o próprio poder público possuem deveres regulatórios, de conscientização e de combate a práticas como cyberbullying e publicidade abusiva, reforçando que a proteção das crianças no ambiente digital é um esforço coletivo amparado pela legislação brasileira.

Investigação da polícia

De acordo com a Polícia Civil, o homem pode ser indiciado por “submeter alguém a perigo iminente”, após levar o filho em uma área de mata isolada nas proximidades do Morro do Careca, em Balneário Camboriú (SC). Na delegacia, foi lavrado um Termo Circunstanciado, já que a pena para o crime pode chegar no máximo a um ano de prisão.

Segundo a corporação, também pode ser aplicada uma pena de prestação de serviços à comunidade, interdição temporária de direitos e a perda de bens e valores.

Em relação à criança, Edward foi encaminhado ao Conselho Tutelar. Ele deve ficar, temporariamente, com um casal amigo da família.

CNN/ML

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