Ministro da Justiça terá reunião com diplomata britânico nos EUA sobre desaparecimento de jornalista na Amazônia

Protesto do lado de fora da embaixada do Brasil em Londres
09/06/2022
REUTERS/Toby Melville

O desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira pesou entre os membros da comitiva do presidente Jair Bolsonaro que chegou nesta quinta-feira a Los Angeles para a Cúpula das Américas, e o ministro da Justiça, Anderson Torres, irá se encontrar com uma representante do governo britânico para explicar o que vem sendo feito a respeito.

Torres, que integra a delegação presidencial na viagem, terá reunião na cidade norte-americana com a vice-ministra para África, América Latina e Caribe do Escritório de Relações Exteriores e Desenvolvimento do Reino Unido, Vick Ford, informou o Ministério da Justiça, confirmando informação divulgada inicialmente pela Reuters.

“O encontro será para atualizar a autoridade britânica sobre as medidas e ações do governo brasileiro em relação ao desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, na Amazônia”, acrescentou a pasta em nota.

Testemunhas disseram que viram pela última vez o repórter –um freelancer que escreve para o Guardian, Washington Post e outras publicações– no domingo, junto com Pereira, que já teve cargo de coordenador na Fundação Nacional do Índio (Funai). Eles estavam em uma viagem para reportagem no Vale do Javari, uma área remota da floresta amazônica que abriga o maior número de indígenas isolados do mundo, além de quadrilhas de tráfico de cocaína e caçadores e pescadores ilegais.

“Vi uma preocupação pesada dos ministros do Meio Ambiente, da Justiça e do Itamaraty, principalmente. Naquela região qualquer coisa pode ter acontecido, e não temos nenhuma informação ainda”, disse uma fonte da delegação brasileira em Los Angeles, que está acompanhando de perto o assunto.

O governo brasileiro trabalhava com a possibilidade de que o caso seria levantado pelo presidente norte-americano, Joe Biden, durante a reunião bilateral com o presidente Jair Bolsonaro nesta quinta. Nos últimos dias, aumentou a cobrança ao governo norte-americano para que Biden pressione o governo brasileiro por informações.

De acordo com a fonte que conversou com a Reuters, a resposta do Brasil será mostrar o que o governo vem fazendo para tentar encontrar Phillips e Araújo, mesmo que ainda sem informações definitivas. A fonte afirmou que, no momento, mais de 1 mil soldados das Forças Armadas e agentes da Polícia Federal estão percorrendo a região.

“Eles estão jogando tarrafa em tudo que é lugar tentando achar alguma coisa”, disse.

Investigadores que apuram o desaparecimento estão se concentrando nas pessoas envolvidas com a pesca ilegal e a caça irregular em terras indígenas na região, disseram três policiais à Reuters. “A principal hipótese criminal, até o momento, é que os envolvidos (e a motivação) tenham relação com atividades de pesca e caça ilegal na terra indígena”, disse um policial federal.

A embaixadora interina do Reino Unido no Brasil, Melanie Hopkins, disse em publicação no Twitter que o governo britânico está “profundamente preocupado” que o jornalista e o indigenista ainda não foram encontrados.

“O governo britânico está dando apoio consular à família do sr. Phillips e em contato próximo com autoridades do mais alto nível no Brasil para se manter atualizado em relação aos esforços de busca e resgate. Entendemos que a localização remota da região impõe desafios logísticos consideráveis e já solicitamos ao governo brasileiro que faça todo o possível para apoiar a investigação do caso. Agradecemos a assistência prestada até o momento”, acrescentou.

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