Futuro sem dinheiro? Entenda o que é ‘cashless’, tendência em todo o mundo

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Imagine que você acabou de terminar sua refeição em um restaurante, sozinho. No momento de pagar, é informado pelo garçom que a maquininha do cartão está sem sinal e inoperante.
Mesmo assim, está tudo bem! Você pode pagar por uma transferência PIX. Só tem um problema: seu celular descarregou há mais de uma hora, e se tornou inútil para qualquer operação. O que você faria?
Bom, se você respondeu que pegaria o dinheiro de emergência que deixa guardado na carteira ou andaria até uma agência bancária para sacar a quantia, você tem sorte de viver em uma sociedade em que ainda existem cédulas em circulação. Em países como o Canadá, Noruega e Suécia, por exemplo, isso já não seria tão possível.
Nesses países, a “cashless society” já é quase uma realidade. Ou seja: quase não existe mais dinheiro vivo em circulação.
Há quem defenda que o Brasil já tenha se tornado uma “sociedade sem dinheiro”, principalmente após a implementação do método de transferência PIX. Porém, o assunto é mais antigo: cartões de crédito e débito, carteiras digitais e aplicativos de pagamentos já fazem parte da rotina da maioria dos brasileiros e comerciantes.
“Com o uso de cartões, carregar moedas ou notas é um hábito que começou a desaparecer entre os jovens, o que mostra que a próxima geração já está familiarizada com a nova forma de consumir”, aponta Yael Israeli, especialista em finanças e cofundadora da Mozper, fintech de gerenciamento financeiro familiar.
Mais facilidade ao comprar, mas menos segurança
O contador e especialista em tributos Alison Santana Silva avalia que a moeda “digital” pode ser considerada um acelerador da economia. Se antes a pessoa que andaria sem dinheiro representaria a perda de uma venda, hoje esse dinheiro digitalizado já está circulando.
“A mercadoria está sendo vendida, o serviço está sendo prestado”, destaca.
A digitalização integral da moeda e o fim da circulação do papel também beneficiaria as instituições bancárias, segundo Santana. Isso porque passariam a economizar cerca de R$ 10 bilhões com segurança, movimentação e estrutura física para esse dinheiro ficar mais seguro.
Mas o professor Amaury Fernandes da Silva Junior, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pensa diferente. Segundo ele, os custos hoje gastos com segurança física seriam transferidos para gastos com segurança digital.