Economia: Com tom cauteloso, Ata do Copom sinaliza continuidade dos cortes de juros nas próximas reuniões

A ata divulgada nesta terça-feira (02) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), referente à reunião realizada na semana passada, quando os juros básicos da economia foram reduzidos de 12,25% a.a. para 11,75% a.a., mostrou que desde a reunião anterior, apesar do ambiente externo seguir apresentando volatilidade, está relativamente menos adverso, mas que ainda inspira cautela. Essa avaliação se dá em razão do arrefecimento das taxas de juros longos nos EUA e dos sinais incipientes da queda de núcleos de inflação, que ainda permanecem em níveis elevados em diversos países.

Em relação ao ambiente doméstico, o documento segue sinalizando um ritmo de crescimento mais moderado da atividade econômica, além de destacar a desaceleração no mercado de crédito à pessoa jurídica. Por outro lado, reforçou que a dinâmica do mercado de trabalho segue aquecida, chamando a atenção para a evolução dos rendimentos reais e a necessidade do seu monitoramento detalhado, para correta avaliação dos seus potenciais impactos sobre a inflação de serviços. Do ponto de vista da inflação, seguiu a avaliação de que o quadro corrente se mostra benigno, mas foi reforçada a preocupação em torno da desancoragem das expectativas de inflação no horizonte relevante da política monetária.

Além disso, o Comitê enfatizou a importância da execução das metas fiscais no combate à inflação, reiterou que “anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões”, ou seja, não trouxe sinais de que possa ao menos no curto prazo acelerar o ritmo de corte da Selic. Por fim, o tom cauteloso da Ata foi ratificado com o Comitê enfatizando que “percebe a necessidade de se manter uma política monetária ainda contracionista pelo horizonte relevante para que se consolide a convergência da inflação para a meta e a ancoragem das expectativas”.

Impacto dos cenários

A redução dos juros para 11,75% a.a. veio em linha com nossas expectativas, reforçando que o Copom segue preocupado com a convergência inflacionária no horizonte relevante. Para o decorrer do próximo ano, entendemos que apesar da manutenção de algumas incertezas em torno da consecução do fiscal, as condições para a continuidade do ciclo de flexibilização monetária permanecem. Desta maneira, mantemos o cenário de Selic a 9,25% a.a. no fim de 2024.

Fonte: Banco do Brasil

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