
Desde a retomada dos investimentos, há um ano, foram liberados seis km de terceira faixa e pouco mais de cinco quilômetros de duplicação.
Faltando sete dias para começar a vigorar o reajuste de 40,5% nas nove praças de pedágio da BR-163 em Mato Grosso do Sul, a concessionária Motiva Pananal voltou a reportar queda no volume do tráfego na rodovia, o que pode ser utilizado futuramente pela concessionária para alegar desequilíbrio financeiro e automaticamente solicitar reajuste extra no pedágio.
Conforme o balanço relativo ao segundo trimestre do ano divulgado na noite desta quarta-feira (29), o tráfego na rodovia recuou 3,8% no segundo trimestre, na comparação com igual período de 2025, passando de 12,855 milhões de veículos para 12,368 milhões.
E esta queda no tráfego, atribuída pela concessionária ao aumento dos combustíveis após os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, no final de fevereiro, e o consequente encarecimento dos fretes, não é caso isolado.
No primeiro trimestre do ano, a Motiva Pantanal já havia reportado queda de 2,6% no número de veículos que passou nas praças de pedágio. Nos três primeiros meses do ano passado foram 13,416 milhões. Em igual período deste ano, o total caiu para 13,017 milhões. Por conta disso, o faturamento com a cobrança de pedágio recuou de R$ 108 milhões para R$ 107 milhões.
No segundo trimestre ocorreu fenômeno parecido, apesar do reajuste da tarifa em junho do ano passado. A queda no faturamento, segundo a empresa, foi de 5,7%, passando de R$ 105 milhões para R$ 99 milhões. Na soma dos dois trimestres, a empresa reporta recuo de 3,3% na arrecadação, que caiu de R$ 213 milhões para R$ 206 milhões.
Um possível pedido de reajuste extra, previsto em todos os contratos de concessão, pode ser feito se houver alteração significativa no volume de tráfego e, em tese, poderia ser feito cinco anos depois da repactuação, assinada em agosto do ano passado.
Mas, apesar da queda na quantidade de veículos, a concessionária informa que fechou o primeiro semestre do ano com lucro líquido de R$ 14 milhões. No primeiro trimestre de 2026, havia informado aos investidores que estava no vermelho, com prejuízo de R$ 1 milhão.
O lucro de agora, contudo, está longe dos valores reportados no primeiro semestre do ano passado, quando a então CCR MSVia disse ter fechado os primeiros seis meses do ano com lucro de R$ 510 milhões. Naquele período, porém, praticamente não havia investimentos. Agora, conforme o balanço, foram aplicados R$ 538 milhões em melhorias no pavimento, desapropriações e duplicações.
Estes investimentos começaram em julho do ano passado e até agora foram entregues em torno de 6 quilômetros de terceira faixa, próximo a Mundo Novo, e 5,6 quilômetros de duplicação, perto de Campo Grande.
TAFIRAÇO
A partir do dia 5 de agosto, as tarifas de pedágio terão aumento de 40,5%. A maior parte deste percentual, de 33,64%, é decorrente do chamado primeiro degrau tarifário definido na repactuação do contrato de concessão. Ao longo dos próximos quatro anos, se a Motiva Pantanal cumprir suas metas de investimentos, as tarifas devem subir novos degraus. Ao final desta escada, o pedágio terá subido 101%.
Além deste primeiro degrau, no próximo dia 5 de agosto ainda haverá a correção da inflação dos últimos doze meses, de 5,16%. Como um incide sobre o outro, o percentual ultrapassa os 40%.
Mesmo assim, alega a concessionária, o pedágio na BR-163 ainda é um dos mais baratos do País. Antes da aplicação do primeiro degrau tarifário, a tarifa quilométrica da Motiva Pantanal corresponde a aproximadamente nove centavos por quilômetro, enquanto a média das concessões rodoviárias brasileiras é de aproximadamente 16 centavos.
Depois do reajuste da próxima semana, este valor sobe para um pouco mais de 12 centavos por quilômetro. A média das rodovias estaduais nas quais existe pedágio, o custo é da ordem de 19 centavos,
A repactuação do contrato prevê investimentos de R$ 9,31 bilhões para ampliar a capacidade e modernizar a BR-163. Entre as principais intervenções estão a duplicação de 203 quilômetros, incluindo os primeiros 65 quilômetros, e a conclusão do Contorno de Mundo Novo nos três primeiros anos,
Além disso, está prevista a implantação de 150 quilômetros de faixas adicionais, 23 quilômetros de vias marginais, 467 quilômetros de acostamentos e 29 quilômetros de contornos em Mundo Novo, Eldorado, Itaquiraí, Vila São Pedro e Vila Vargas. O contrato também prevê dois ciclos estruturais de restauração do pavimento e renovação da sinalização ao longo da concessão.