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Coxim Agora

Pedido de abertura de CPI chega a 11 assinaturas e será apresentado amanhã

Por Redação

Em 19 de fevereiro de 2025

Previsto para ser protocolado na manhã de ontem, o requerimento para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Campo Grande para investigar o serviço de transporte coletivo urbano prestado pelo Consórcio Guaicurus ficou para amanhã.

O vereador Junior Coringa (MDB), responsável pela articulação do pedido de criação da CPI na Casa de Leis, explicou ao Correio do Estado que o adiamento foi para oportunizar aos outros parlamentares a possibilidade de assinarem o requerimento.

“Já tínhamos as 10 assinaturas mínimas necessárias para ingressar com um pedido de abertura de uma CPI na Câmara Municipal, mas resolvemos adiar para que outros vereadores também pudessem assinar. O que acabou acontecendo, pois o vereador Ronilço Guerreiro [Podemos] também acabou assinando”, informou.

Agora, o requerimento tem as assinaturas dos vereadores Junior Coringa, Flávio Cabo Almi (PSDB), Ana Portela (PL), Rafael Tavares (PL), Landmark (PT), Jean Ferreira (PT), Luiza Ribeiro (PT), Fábio Rocha (União Brasil), Maicon Nogueira (PP) e Ronilço Guerreiro.

Conforme o documento obtido pelo Correio do Estado, os 11 vereadores requerem, “nos termos do § 3° do artigo 33, da Lei Orgânica do Município, bem como no Regimento Interno da Câmara Municipal de Campo Grande, a criação de uma CPI com a finalidade de investigar as irregularidades na prestação do serviço de transporte público da Capital e descumprimento do contrato de concessão por parte do Consórcio Guaicurus”.

No requerimento de criação de CPI, os parlamentares ainda solicitam um prazo inicial de 120 dias com a justificativa de que pesquisas indicam que o transporte público é um dos principais problemas do município e geram maior preocupação do cidadão campo-grandense quando busca por serviços públicos.

“Em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, observa-se o esforço do poder público para apresentar soluções para esse complexo e sensível problema, que deve obter a melhor combinação na aplicação dos recursos disponíveis para suprir essa importante demanda social”, trouxe trecho da justificativa.

Também no documento os vereadores apontam que, dos diversos serviços públicos oferecidos no município, um ganhou destaque negativo na mídia local com a veiculação de reportagens expondo a péssima prestação do serviço, bem como atitudes e comportamentos de dirigentes da entidade que detém a concessão pública de transporte local.

Entre essas reclamações estão as inúmeras matérias relatando a péssima prestação do serviço público na Capital, ônibus lotados, atraso em linhas, veículos quebrados e outras irregularidades.

“Em cumprimento ao dever de fiscalização do Poder Legislativo, solicita-se o apoio dos nobres pares para a instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito, com a finalidade de investigar as irregularidades na prestação do serviço público e o descumprimento do contrato de concessão por parte do Consórcio Guaicurus”, assim termina o requerimento.

Em entrevista ao Correio do Estado, o parlamentar destacou que a CPI do Consórcio Guaicurus é um assunto sério e, por isso, exige total responsabilidade da Casa de Leis.

“O requerimento que dará origem à CPI precisa ser muito bem elaborado, com um fato determinado sólido [já definido], fundamentado e acompanhado de provas concretas”, assegurou.

Coringa completou que o seu compromisso é garantir que a investigação tenha eficácia e não corra o risco de ser anulada por erros formais ou falhas jurídicas.

“Por isso, apresentaremos o requerimento já com tudo que é necessário para dar o andamento”, argumentou.

O autor do requerimento explicou que o pedido foi elaborado com a assessoria jurídica para evitar brechas, como ocorreu na terceira tentativa de criar uma CPI para investigar a concessionária responsável pelo transporte coletivo urbano de Campo Grande.

“A última tentativa acabou arquivada pelo então presidente da Câmara Municipal, o vereador Carlão (PSB), mesmo tendo as assinaturas de 13 vereadores”, recordou.

Na época, o vereador Carlão justificou que não tinha fato determinado para a investigação mesmo com várias denúncias de corrupção, fraude na licitação, não cumprimento do contrato e piora na qualidade do transporte coletivo urbano.

SEGUNDO SEMESTRE
O atual presidente da Casa de Leis, vereador Epaminondas Vicente Silva Neto (PSDB), o Papy, disse, em entrevista ao Correio do Estado, que pretende propor aos demais colegas parlamentares adiar a CPI para o segundo semestre deste ano.

Ele declarou que, apesar de ser favorável à intensificação da fiscalização sobre o serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus, que tem sido alvo de críticas dos usuários desde o fim da pandemia de Covid-19, não teria como iniciar os trabalhos da 12ª Legislatura da Câmara Municipal da Capital já com uma CPI.

“Nós temos de seguir um rito no primeiro semestre e, também, esperar a perícia judicial encomendada no ano passado pelo Poder Judiciário sobre essa questão. A partir dos dados reais dos balancetes do Consórcio Guaicurus e das informações que serão apontados pela perícia judicial, seremos capazes de averiguada melhor todos os elementos coletados para ter um fato específico para poder investigar, tanto em relação ao consórcio quanto àquilo que a prefeitura municipal também descumpre”, detalhou.

Papy reforçou que se trata de um contrato em que as duas partes que assinaram – administração municipal e as empresas de transporte coletivo urbano – descumpriram o que estava estabelecido.

“Temos informações de que o Executivo municipal teria descumprindo mais de 10 cláusulas do contrato, enquanto o Consórcio Guaicurus, três, sendo a principal a não renovação da frota de cinco em cinco anos”, pontuou.

O presidente da Câmara Municipal defende que a CPI do Consórcio Guaicurus precisa ser criada com o objetivo de “pôr luz sobre o contrato de um modo geral”.

“Então, eu penso que, pelo pouco tempo, os vereadores vão estar mais preparados, tecnicamente falando, e abastecidos de boas e concretas informações lá pelo segundo semestre deste ano”, analisou, acrescentando que, até lá, a Casa de Leis tem de fazer uma fiscalização permanente, mês a mês, para criar uma CPI que chegará aos resultados esperados pela população de Campo Grande.

PERÍCIA
O Correio do Estado também procurou o ex-presidente da Câmara Municipal e atual primeiro-secretário da Casa de Leis, vereador Carlão, para saber a opinião dele sobre a abertura de uma CPI logo no começo dos trabalhos legislativos, e ele também considerou a possibilidade quase impossível.

“E eu não estou por dentro dessa articulação para se criar uma CPI do Consórcio Guaicurus, mas já adianto que a Casa tem por obrigação esperar o resultado da perícia encomendada no ano passado pelo Poder Judiciário sobre essa questão”, recordou Carlão, aconselhando aos mais afoitos que aguardem o resultado.

Ele reforçou que, se a Justiça solicitou uma perícia, não é aconselhável começar uma investigação sem o resultado desse levantamento.

“Enquanto não sair essa perícia, qualquer investigação aí vai ser precipitada. Por isso, sou da posição que é preciso aguardar até março ou abril deste ano para depois pensar em uma CPI”, argumentou.

O primeiro-secretário da Casa de Leis disse à reportagem que não é contra a abertura de uma CPI, porém, é mais aconselhável fazer isso de posse dos resultados da perícia.

“Essa perícia trará informações importantes e alguns balancetes do Consórcio Guaicurus. Aí, com isso em mãos, a Comissão de Transporte e Trânsito da Câmara assume”, ponderou.

SAIBA
Para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Campo Grande, é necessário fazer um requerimento que atenda aos requisitos regimentais e constitucionais. O requerimento deve ser elaborado com um fato determinado, fundamentado e com provas concretas.

A CPI é criada por ato do presidente da Câmara Municipal, mediante requerimento de, pelo menos, um terço dos parlamentares, ou seja, 10 vereadores. O requerimento que atenda aos requisitos regimentais e constitucionais não será submetido à votação.

Fonte: Correio do Estado

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