
Corumbá é uma das cidades afetadas com a decisão. (Foto: Arquivo)
O Governo do Estados Unidos elevou Mato Grosso do Sul ao nível máximo no alerta oficial de segurança para viagens. Na prática, a decisão americana recomenda, de forma explícita, aos cidadãos norte americanos que não viagem para locais considerados de risco, com potencial para crimes como sequestro, violência armada, terrorismo e distúrbios civis.
O “Nível 4: Não Viaje”, o maior nível de classificação dos Estados Unidos, abrange uma faixa de 160 quilômetros de distância a partir da fronteira do Brasil com Paraguai e Bolívia. Essa faixa limítrofe atinge grande parte do sul e do oeste de Mato Grosso do Sul.
A decisão de 2025 foi atualizada em 31 agosto deste ano. De acordo com a atualização do documento, o Estado foi elevado ao nível máximo. O Brasil continua no nível 2.
A recomendação americana atinge diretamente cidades como Corumbá, Ladário, Porto Murtinho, Bela Vista, Ponta Porã, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas e Mundo Novo, uma das regiões economicamente mais ativas na região de fronteira no Estado.
O documento atualizado passou a mencionar explicitamente o risco de sequestro no Brasil; uma novidade em relação a versões anteriores do alerta. A justificativa menciona crimes violentos, presença de organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas e golpes onde vítimas são sedadas antes de serem roubadas
O alerta é direcionado aos cidadãos norte americanos e vai além de uma decisão genérica para funcionários do Governo dos EUA que trabalham no Brasil. Esses profissionais precisam de autorização especial para entrar em zonas de alerta máximo.
Para quem mora ou trabalha na fronteira com o Paraguai e Bolívia, o aviso americano reflete uma realidade já enfrentada pelas forças de segurança cotidianamente.
O governo dos Estados Unidos elevou em julho de 2025 o nível de alerta de viagem para “Nível 4: Não Viaje” para quatro países: Haiti, Líbia, Iraque e Síria. A decisão foi divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano e leva em conta uma série de ameaças, como violência armada, terrorismo, distúrbios civis, sequestros e ausência de serviços consulares. As informações estão disponíveis no site oficial
A inclusão dessas nações na categoria de risco máximo impacta diretamente o planejamento de viagens e operações internacionais de cidadãos e empresas dos EUA, além de afetar países que seguem as diretrizes de segurança norte-americanas. As revisões dessas advertências são feitas a cada seis meses ou em casos de mudanças críticas de cenário, com base em relatórios de agências governamentais e dados de empresas privadas.
O governo dos Estados Unidos classificou como nível 4 — não viaje, seu grau máximo de alerta, uma faixa de 160 quilômetros a partir das divisas terrestres do Brasil com Paraguai e Bolívia — atingindo diretamente grande parte do sul e do oeste de Mato Grosso do Sul. A atualização, divulgada pelo Departamento de Estado americano no final de agosto de 2026, vai além de uma advertência genérica: funcionários do governo dos EUA que trabalham no Brasil precisam de autorização especial para entrar nessa zona, e cidadãos norte-americanos recebem orientação explícita para não se deslocar à região por qualquer motivo.
O documento passou a mencionar explicitamente o risco de sequestro no Brasil — novidade em relação a versões anteriores do alerta. A justificativa combina crimes violentos, presença de organizações criminosas ligadas ao narcotráfico e golpes nos quais vítimas são sedadas antes de serem roubadas. Para quem mora ou trabalha na faixa de fronteira de MS, o aviso americano funciona como um espelho externo de uma realidade que as forças de segurança brasileiras já enfrentam cotidianamente.
A faixa de 100 milhas (aproximadamente 160 km) calculada a partir das fronteiras com Bolívia e Paraguai engloba municípios inteiros de Mato Grosso do Sul. Estão dentro do raio cidades como Corumbá, Ladário, Porto Murtinho, Bela Vista, Ponta Porã, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas e Mundo Novo, entre outras. Trata-se, em conjunto, de uma das regiões economicamente mais ativas da fronteira brasileira — e também das mais monitoradas pelo crime organizado transnacional.
Um ponto que gerou confusão no aviso americano merece atenção: o Departamento de Estado menciona o “Pantanal” como exceção à restrição, mas a ressalva se refere especificamente ao Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, localizado em Poconé, no Mato Grosso — não ao Pantanal sul-mato-grossense. Corumbá e Ladário, portanto, continuam plenamente incluídas na zona de nível 4, apesar do nome. Campo Grande, por sua vez, fica fora do raio de 160 km e não integra a lista de áreas de risco máximo.
A classificação americana ecoa o que autoridades brasileiras já descrevem há anos. Em operações recentes na faixa de fronteira de MS, o Exército conduziu a Operação Jaguaretê-Oeste, mobilizando mais de 600 militares ao longo de cerca de 822 quilômetros de divisa, com foco especial em Corumbá e na fronteira com a Bolívia. A ação resultou em apreensões e prejuízos estimados em R$ 66 milhões ao crime organizado.
O combate ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao CV (Comando Vermelho) tornou-se prioridade em ações integradas entre forças brasileiras e autoridades bolivianas, com menção a cooperação com os Estados Unidos. O aviso americano também alerta para o risco de assassinatos, roubos armados e furtos de veículos, que segundo o documento podem ocorrer tanto de dia quanto à noite nas regiões de fronteira.
Para o morador e o viajante, o alerta não cria restrição jurídica — é uma orientação do governo americano aos seus cidadãos, não uma interdição formal do território. Mas o nível 4 tem peso simbólico e prático: afeta o fluxo de turistas norte-americanos na região, pode interferir em seguros de viagem e sinaliza o grau de preocupação que o tema desperta internacionalmente.
O Departamento de Estado recomenda que viajantes estabeleçam uma rotina de mensagens e ligações com familiares para confirmar segurança, evitem ostentar objetos de valor em público e se mantenham atentos em situações cotidianas. A escala americana vai do nível 1 (precauções normais) ao nível 4 (não viaje). O Brasil, como país, está classificado em nível 2 — maior cautela — mas com bolsões de nível 4 nas faixas de fronteira e em quatro regiões administrativas do Distrito Federal. Para Mato Grosso do Sul, a fronteira sempre foi um ativo econômico e cultural estratégico; o alerta americano reforça que ela é também, para quem a observa de fora, um dos territórios de maior atenção na América do Sul.